Ficar horas sentado em frente à tevê é um hábito cada vez mais raro Em meio a infinitas opções de entretenimento proporcionadas pela internet e outras mídias, atrair a atenção dispersa dos telespectadores se tornou uma missão complexa para os programas de televisão
Uma das saídas encontradas pelas emissoras tem sido investir em formatos mais curtos, com duração média de 15 minutos Com pautas mais concisas e uma linguagem dinâmica, produções desse tipo são tendência nas grades de programação ''É uma adequação ao modo de consumir audiovisual Agora, o tempo de atenção dos telespectadores é muito mais curto Esses programas são uma maneira de proporcionar experiências diferentes'', analisa Cris Lobo, diretora de programação da MTV, que exibe uma das produções de maior sucesso do gênero, o ''15 Minutos'', comandado por Marcelo Adnet
A maioria desses programas é voltada para o humor e tem como alvo o público jovem É o caso do próprio ''15 Minutos'', do ''Didiabólico'' e do ''Infortúnio'', da MTV, e do ''Bicicleta e Melancia'' do Multishow, por exemplo A linguagem próxima à dos vídeos da internet, as piadas curtas e a possibilidade de um conteúdo mais ousado fazem com que o formato seja visto pelas emissoras como o modelo ideal na hora de testar novos programas e talentos
Tudo porque, por terem uma duração reduzida, os riscos são sempre menores ''É muito mais fácil convidar o público a conhecer um programa de 15 minutos do que de uma hora O custo é menor e a chance de a audiência experimentar é maior'', explica Zico Góes, gerente comercial do GNT, canal que vem exibindo, desde 5 de novembro, o programa ''Conexão Direta'', inaugurando o formato em sua programação Na atração, com 15 minutos, Sarah Oliveira conversa com artistas a partir da imagem que as pessoas nas ruas têm deles Para Zico, a única desvantagem desse tipo de programa está na grade de programação ''Os horários ficam todos quebrados É ruim porque as pessoas são acostumadas a ver programas de hora em hora'', avalia
O sucesso dos formatos de curta duração, no entanto, ainda não conquistou espaço nas grandes redes de tevê aberta, que têm uma grade de programação mais rígida Mesmo assim, algumas mudanças buscam reduzir os programas, de modo a torná-los mais atraentes e evitar os desgastes causados com o tempo
É o caso dos seriados da Globo, que, em vez de terem menos tempo por episódio, sofreram reduções no tamanho total das temporadas Desde o ano passado, as séries da emissora passaram a se guiar por um modelo internacional, com pouco mais de 10 episódios por período de exibição ''Esse padrão permite um controle maior sobre a qualidade da obra Fazer temporadas longas é mais lucrativo, mas a chance de desandar é alta'', opina José Alvarenga Jr , diretor de ''Força-Tarefa'', que este ano teve apenas 10 episódios, quase 30 a menos do que as séries da Globo costumam ter, quando exibidas ao longo do ano todo

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