A eletrônica reina. Nem a rainha do rock brazuca se safou dos beats, samples e loops. ‘‘Rita Releeda’’ (EMI) reúne sucessos da cantora e compositora paulista Rita Lee, retrabalhados para as pistas por DJs e produtores do circuito Rio-SP.
Entre as canções selecionadas figuram ‘‘Mania de Voc꒒, ‘‘Baila Comigo’’ e ‘‘Doce Vampiro’’ num total de 14 faixas (sem contar duas versões adicionais de ‘‘Lança Perfume’’). O disco foi produzido por Roberto de Carvalho, que garimpou o repertório e escolheu os manipuladores de teclados e botões.
Dudu Marote, Mau Mau, Marky Mark, Memê e o grupo Kid Abelha (sim, eles estão incursionando nesta seara) são os nomes mais conhecidos entre os participantes. A primeira metade do CD é ‘‘respeitosa’’, com as melodias de Rita conduzindo as batidas. É só a partir da décima faixa que as releituras ganham autonomia de vôo tornando os registros originais irreconhecíveis.
Quando surgiu, o remix era distribuído apenas para divulgação em rádio ou lançado em singles para o segmento restrito de DJs. Com a explosão da música eletrônica em todo o mundo, as gravadoras passaram a embutir o recurso como faixas-bônus nos álbuns de seus contratados, muitas vezes a contragosto dos artistas.
Mais recentemente, o artefato virou produto nobre com o lançamento de álbuns integrais no formato. Rita não é a primeira cantora a aderir à tendência. Antes dela, saíram discos de Fernanda Abreu (‘‘Raio X’’), Marina (‘‘1 Noite e 1/2’’) e Daúde (‘‘Simbora’’). O repertório de ‘‘Rita Releeda’’ privilegiou a fase da parceria com Roberto de Carvalho, o que deve ter facilitado o trabalho da rapaziada, afinal os hits do período já traziam apelo dançante, ainda que em arranjos pasteurizados.
Em ‘‘Mutante’’, o DJ Apollo 9 (responsável pela produção do novo álbum de canções da roqueira) parte para a desconstrução, deixando apenas a frase ‘‘Ai de mim que sou romântica’’ sob camadas de efeitos e texturas. Marky Mark e Ricardo Pinda mesclam teclados etéreos, batidas drum’n’bass e sussurros de titia Rita simulando um orgasmo em ‘‘Caso Sério’’. O projeto Embrio (do qual faz parte João Lee, filho de Rita) envereda pelo trance em ‘‘Atlântida’’ e house em ‘‘Brasyx Muamba’’.
As soluções em sua maioria sucumbem a batidas previsíveis e intermináveis, com a voz frágil de Rita pagando todos os pecados no meio. ‘‘Rita Releeda’’ foi produzido para conquistar a geração clubber, mas corre o risco de encalhar nas prateleiras. É provável que os antigos fãs torçam o nariz para o CD à espera do novo álbum de canções inéditas previsto para chegar às lojas entre junho e julho trazendo parcerias com Tom Zé, Pato Fu, Itamar Assumpção e Zélia Duncan.

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