A paulistana Rita Lee, 61, não quer saber dessa história de ser lenda do rock. ''Mito? Não tenho distanciamento de mim mesma para saber que papel ocupo nesse teatro'', diz. No DVD que relembra seus 40 anos de carreira, ''Multishow ao Vivo Rita Lee''.
Na produção, Rita surge solta e próxima do público. Há momentos engraçados, como quando ela coloca um chapéu de cangaceiro, assume o triângulo e desconstrói a música dos Beatles ''I Want to Hold Your Hand'' na versão ''O Bode e a Cabra''. E também emocionantes, como na mistura de ''Baby'' com ''Domingo no Parque'', ''Panis et Circense'', ''Bat Macumba'' e ''Alegria, Alegria''.
Questionada sobre a razão de sua longevidade artística e de seus amigos Gil e Caetano Veloso, Rita brinca, com um fundo de verdade. ''Será que é porque somos geniais?'', devolve, gargalhando. E abre guerra à nostalgia: ''Não sou saudosista. Odeio 'revivals'. Não acho que nada do meu tempo era melhor''.
A direção do DVD é de Rodrigo Carelli - responsável pelo último DVD de Ivete Sangalo e diretor de ''A Fazenda'' (Record). ''Ele é um amor de pessoa, aberto, tem bom gosto, e sua equipe foi superlegal'', elogia.
Se o trabalho atual, mesmo sob roupagem contemporânea, olha para o passado, o próximo será um disco de novidades. ''Temos várias inéditas ainda em demo... Resta escolher as melhores e entrar no estúdio. Uma delas é 'O Povo Brasileiro', que faz um deboche e uma declaração de amor à loucura da nossa gente'', adianta. ''A inspiração não avisa quando aparece, só tenho de estar pronta para ouvir o que o santo diz quando baixa.''

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