Rita Benneditto lança o CD Fé
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Cantora maranhense que ganhou projeção nacional em 1997, Rita Benneditto lança seu sexto álbum solo: "Encanto". Abordando a religiosidade com foco nas sonoridades afro-brasileiras, a intérprete faz releituras de canções assinadas por grandes mestres da música popular brasileira, como Djavan ("Água"), Gilberto Gil ("Extra"), Jorge Benjor ("Santa Clara clarou"), Caetano Veloso ("Eu e a água"), Heitor Villa-Lobos ("Estrela é lua nova"), além de canções inéditas e da regravação com pegada roqueira da música "Fé", sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
Distribuído pela gravadora Biscoito Fino, o novo álbum segue o conceito do bem-sucedido show "Tecnomacumba", estrelado por Rita em 2003 e que permaneceu em cartaz por 11 anos, rendendo disco gravado em estúdio em 2006 e outro CD ao vivo colocado no mercado em 2009.
Em entrevista à FOLHA por e-mail, a cantora fala sobre o novo trabalho, a mudança de sobrenome e os novos projetos profissionais:
Por favor, fale um pouco do conceito deste novo álbum.
É um trabalho que, acima de tudo, fala sobre espiritualidade, energia e frequências sob vários enfoques. A escolha do repertório reflete muito bem isso: canções de Roberto Carlos, Gil, Djavan, Jorge Ben Jor, Villa-Lobos, Arlindo Cruz. Ou seja, compositores que abordam a espiritualidade na composição de maneiras muito diversas. Costurando este relicário de possibilidades e manifestações de fé, há temas de domínio público musicados e elaborados com os talentosos parceiros e produtores Felipe Pinaud e Lancaster Lopes, que com muita criatividade e cumplicidade me ajudaram a desenhar toda a sonoridade do disco. A sonoridade reflete tudo isso, o disco foi todo gravado ao vivo e é o mais rockn roll da minha carreira, experimento agora possibilidades até então inéditas no meu trabalho.
Tecnomacumba foi um trabalho muito marcante na sua carreira, "Encanto" traz influências dele?
"Encanto" é uma evolução natural de "Tecnomacumba". Se analisar em perspectiva, minha carreira é toda baseada em um discurso coerente e contínuo. Os discos não são estanque, eles refletem o meu olhar sobre as coisas, assuntos que eu quero abordar num determinado momento, minhas referências e a minha verdade. Portanto, embora cada um tenha um conceito específico, eles dialogam entre si.
Você tem atualizado ritmos ancestrais com sonoridades bastante contemporâneas. É um movimento natural ou essa mistura exige muita pesquisa?
É um movimento super natural, pois a música contemporânea bebe nas fontes ancestrais e eu sempre tive muito clara essa dinâmica no meu trabalho. É uma maneira de manter viva a memória musical do povo brasileiro.
De que forma a fé abordada no seu trabalho está presente na sua rotina?
Totalmente. Tenho muita fé, sou religiosa e sinto necessidade de expressar isso no meu trabalho. E em tempos de tanta intolerância e desarmonia no mundo, acho importante levar este tipo de mensagem para as pessoas.
O cenário da música brasileira tem se mostrado bastante efêmero nos últimos tempos. Completar 25 anos de carreira neste universo e continuar na ativa é cada vez mais raro. Você se sente vitoriosa nesse sentido?
É uma alegria imensa completar 25 anos de carreira fazendo o que eu gosto e o que acredito. E sempre exerci meu ofício com muita verdade e amor, talvez por isso tenha conquistado um público tão fiel e atento aos meus movimentos ao longo destes anos.
Roberto Carlos tem sido bastante reticente para autorizar regravações de suas composições. Foi complicado o processo de autorização para regravar a música "Fé"?
Sou uma pessoa de muita fé (risos), e quando decidi gravar a música de Roberto tinha certeza absoluta que ele liberaria sem problemas, e foi isso que aconteceu!
Quando e por quê você mudou seu sobrenome?
A mudança aconteceu em 2012. Ao longo destes anos, me deparei com vários homônimos. Era muita Rita Ribeiro para administrar além de mim (risos). Sendo assim, optei por mudar para Rita Benneditto. E o novo nome diz muito sobre a minha história de vida: Benneditto é o sobrenome do meu pai, já falecido; é também o nome da cidade onde nasci, São Benedito do Rio Preto, no interior do Maranhão; e, pra completar, o significado da palavra Benedictus, em latim, é bendito, abençoado.
Quais são seus ídolos na música?
São tantos que não teria espaço suficiente para colocá-los aqui. Mas posso citar alguns para constar: Heitor Villa-Lobos, Ludwig van Beethoven, Yma Sumac, Maria Calas, Bjork, Os baianos tropicalistas, Clara Nunes, Arlindo Cruz, Djavan, Jorge Ben Jor, Michael Jackson, Bob Marley, e tantos outras maravilhosas estrelas da musica mundial.
O que tem ouvido ultimamente?
Por conta do lançamento do CD "Encanto", tenho ouvido menos música do que gostaria, mas tenho recebido muitos CDs de amigos cantores e compositores e tô curtindo muito ouvi-los. São eles: Jaime Alem, Daúde, Márcia Castro, Raquel Coutinho, Jussara Silveira e por aí vai...
Pretende levar o repertório do disco para os palcos? Já tem datas agendadas da nova turnê?
Já estou trabalhando no novo show, que estreia no Rio, dia 6 de março, segue para São Paulo e depois percorrerá o Brasil ao longo do ano.
Quais são seus próximos projetos profissionais?
Além de "Encanto" e da nova turnê, fiz no ano passado um disco em parceria com a Jussara Silveira, "Som e fúria", produzido por Alê Siqueira e José Miguel Wisnick. O disco foi todo gravado na chapada Diamantina, na Bahia, e será lançado ainda neste semestre.
Serviço:
"Encanto"
Artista - Rita Benneditto
Gravadora - Biscoito Fino
Quanto - R$24,90


