Riso em jogo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
O olhar do telespectador sobre o humor vem mudando: está cada vez mais apurado e crítico. Por isso, a Globo correu para se adequar a essa nova visão. Primeiro, foi a vez antigo "Zorra Total", que virou apenas "Zorra" e foi totalmente repaginado. Mas Carlos Henrique Schroder, diretor geral da emissora, ainda não estava satisfeito. E pediu para a equipe do diretor de gênero Boninho criar um novo formato. Assim surgiu o "Tomara que Caia", que estreia no próximo domingo, dia 19.
"Queriam novidade. E a gente veio com essa ideia. Olhamos várias coisas, mas fizemos um programa inédito, criado aqui e com a cara da gente", defende Boninho, que juntou no elenco Eri Johnson, Marcelo Serrado, Ricardo Tozzi, Dani Valente, Fabiana Karla e Heloísa Périssé.
O programa reúne humor, disputa e interatividade. A cada domingo, uma única história será contada. No entanto, dois times com quatro atores se dividem para realizar a tarefa. Cada personagem tem um "espelho" no outro time: um outro ator com a mesma roupa e que interpreta o mesmo papel. Ao vivo e no palco, com uma plateia de aproximadamente 150 pessoas, o roteiro tem personagens e falas pré-definidos. Enquanto um grupo atua, o outro fica em uma espécie de coxia na frente do palco e armando para o outro time "cair" e ceder o lugar. "São dois desafios muito grandes. O primeiro é continuar interpretando mesmo com as 'trolladas' e depois de entrar para continuar contando a história de onde ela foi parada pelo outro grupo", explica Marcelo Serrado.
Os elementos surpresa, batizados de "trolladas" pelo programa, precisarão ser incorporados na encenação. São três opções de brincadeiras, escolhidas na hora pelos participantes do time que está na coxia. Todas elas sigilosas e nenhum dos times sabe seu conteúdo antes destas serem requisitadas. "Estamos totalmente no escuro. Juntamos praticamente todas as possibilidades de atuação em um só programa. É um exercício muito difícil de improviso", valoriza Fabiana Karla. Além disso, eles têm a carta "Apelei", que obriga uma substituição imediata, e ainda podem usar a participação da Cia Barbixas de Humor, que também entra em cena para "atrapalhar" o andamento do jogo. "Todo mundo quer ficar no palco. E essa é a grande brincadeira do projeto, usar todas as armas necessárias para tirar os adversários dali", explica Carlo Milani.
Com as "trolladas" em jogo, entra a participação do público. Em tempo real, o telespectador avalia a performance dos times. Através de um aplicativo para celular, do site do programa ou até mesmo da plateia, a audiência manda: decide quem "cai" e quem "fica". "Para seguir a apresentação, o grupo deverá ter mais de 30% de aprovação, é o 'Tomara que Fique'. Quando cair desse patamar, entra o 'Tomara que Caia'. E então o grupo atuante sai e o segundo recomeça a história de onde os oponentes pararam", detalha Marcelo Serrado.
Com o "ex-Casseta" Cláudio Manoel na supervisão do texto, outro desafio do projeto é contar, a cada domingo, uma história diferente. Por isso, o figurino e o cenário também variam. "Fomos atrás de situações reais, claro que com um pouco de humor. Mas nada exagerado. O objetivo era estimular o improviso em cima de situações cotidianas", explica Cláudio Manoel.
Para que tudo dê certo na hora do "ao vivo", o elenco ensaia duas vezes por semana a cena em questão. "É como se fizéssemos um teatro a cada domingo. Só que na hora entram vários elementos surpresa. É desafiante, mas muito estimulante", entrega Heloísa Périssé.
Serviço
"Tomara que Caia" Estreia amanhã, às 23h30, na Globo


