Risadas do mundo todo
O desafio está lançado. De novembro a dezembro, na paradisíaca cidade de João Pessoa, na Paraíba, todas as formas do fazer rir serão provocadas em um encontro inédito no Brasil. Trata-se do Riso da Terra, um projeto do ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos que tramita há pelo menos três anos, mas só agora conseguiu patrocínio para ser realizado. O projeto foi lançado oficialmente na última quarta-feira, em Londrina, em um cortejo liderado pelo palhaço Xuxu, personagem que Vasconcelos representa há 23 anos.
A cômica passeata teve a participação de artistas locais e alunos da oficina de palhaços que o ator ministrou no Festival Internacional de Londrina (Filo). Foi uma pequena mostra do que a Paraíba pode esperar no final do ano. O Riso da Terra vai reunir 300 artistas nacionais e internacionais ligados à arte de fazer rir. Serão 13 dias de atividades que vão resultar num manifesto uma carta a ser enviada à Organizações das Nações Unidas (ONU) propondo elementos para uma política cultural mais contundente.
O evento é uma iniciativa da Escola Piolhim, fundada por Vasconcelos, que trabalha com crianças carentes. Inicialmente foi orçado em R$ 6 milhões, mas a dificuldade em conseguir patrocínio fez com que o custo se reduzisse a modestos R$ 1,8 milhão. O Riso só vai acontecer por causa das parcerias e permutas. Caso contrário ficaria inviável trabalhar com esse orçamento, observa o ator.
O projeto é um antigo sonho do Grupo Piolhim, que deu origem à escola. O grupo paraibano foi fundado em 1977, uma ano antes do nascimento do palhaço Xuxu. Ganhou reconhecimento nacional e internacional com a montagem de Vau da Sarapalha, de Guimarães Rosa, com adaptação e direção de Vasconcelos. A peça estreou em 1992 e acumula prêmios e turnês.
Vau da Sarapalha alavancou o trabalho do ator e diretor, natural de Umbuzeiro. Foi a partir do espetáculo que surgiram os convites para os filmes Baile Perfumado, dirigido por Lirio Ferreira e Paulo Caldas, onde Vasconcelos interpreta Lampião e para Eu Tu Eles, dirigido por Andrucha Waddington, no qual ele interpreta o mais jovem e fogoso marido de Darlene (Regina Casé).
O ator também protagonizou O Primeiro Dia, de Walter Salles Júnior e filmou, no final do ano passado, o mais recente trabalho do diretor de Central do Brasil. Bolandeira, o novo filme de Salles, é uma adaptação do romance do escritor polonês Albanês Ismail Kadaré. Está previsto para estrear no segundo semestre desse ano e traz o ator como um artista popular que se apresenta em cidades nordestinas.
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. O nordeste foi o ponto de partida de Vasconcelos e por isso ele escolheu João Pessoa, sede da Escola Piolhim, para realizar o Riso da Terra. A idéia é reunir todas as tendências do riso na cidade, adianta lembrando que assim como o riso tem várias manifestações, a forma de produzi-lo também é diversificada.
No primeiro encontro mundial de palhaços estarão reunidos mímicos, trapezistas, repentistas, representantes do velho e novo circo. Serão ministradas oficinas e debates para troca de experiências. Vasconcelos adiantou para reportagem da Folha2 que nomes como Roberto Benigni e (até) Woody Allen estão sendo cotados como palestrantes. Que venha o riso!





