Rir é o melhor remédio
Mesmo sem peruca e o nariz de palhaço, o intrépido Xupetim não aparenta seus 54 anos de vida. Dedicando-se há 40 anos à arte de fazer rir, o palhaço paraguaio confirma que o mais difícil é desenvolver a própria graça. ''Todos nós carregamos os mais diferentes tipos de sentimentos e o palhaço precisa estar atento para conseguir lidar com isso e expressar exatamente aquilo que cada momento exige, principalmente na hora de improvisar'', ensina.
Com um estilo divertido e carinhoso de fazer graça, Oscar Espinola conta que quase virou padre antes de ser palhaço. ''Fiquei internado em um seminário dos 6 aos 15 anos, quando decidi fugir com um circo que se apresentou por lá. Participei de um número, falaram que eu era engraçado, que tinha jeito para circo, e decidi tomar outro rumo na vida. Só voltei a ver a minha família com 21 anos'', lembra.
De vendedor de pirulito - aliás Xupetim é o nome artístico que ganhou por acaso e que significa 'pirulito pequeno' em espanhol - a trapezista, Xupetim se encontrou ao fazer o outro rir. Encantado inicialmente com as roupas bufantes e coloridas dos palhaços tradicionais, acabou com o tempo criando o seu próprio estilo: um palhaço que lembra o tipo arlequim, sem sapatos grandes e mais ágil.
''O palhaço é atuante, precisa sempre estar se exercitando para ir aflorando as suas percepções'', afirma. E o palhaço fica triste? ''Olha, isso é muito difícil, porque não há melhor remédio para a alma do que ver o outro rir de você'', garante.
Considerado por dez anos o melhor palhaço do Brasil, Xupetim também contribuiu fundamentalmente para a valorização desse profissional de circo. Dentre várias prêmiações que já recebeu, é o único a ter o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). (A.P.N.)





