Riqueza subaquática atrai mergulhadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
Érika Pelegrino 
Dois amigos londrinenses descobriram as belezas de Abrolhos em janeiro. Praticantes de mergulho autônomo eles se juntaram a mais 13 mergulhadores de várias partes do Brasil e passaram quatro dias explorando as maravilhas submarinas da reserva.
Fábio Martins Pereira, 24, estudante de direito e Gabriel Bertin de Almeida, 24, advogado, fizeram do mergulho um hobby há três anos. Já mergulharam em Búzios, Florianópolis e Lage de Santos em São Paulo. Em janeiro decidiram dar um mergulho mais ousado e foram para Abrolhos considerado o segundo melhor lugar do Brasil para mergulhar.
Foram até Alcobaça, no Sul da Bahia, de lá uma escuna com mais 13 mergulhadores e tripulação partiu para a reserva. Foram seis horas navegando até chegar na região das cinco ilhas que compõem Abrolhos. Como se trata de uma reserva os visitantes não podem descer em terra. Apenas em Siriba é permitida a entrada de turistas, mesmo assim, com um guia do Ibama.
Os mergulhadores passaram quatro dias no mar. É bem desconfortável. Ficamos o tempo todo na escuna. Só saímos para fazer os mergulhos, conta Fábio. O desconforto não superou em momento algum o encantamento dos londrinenses. Eles faziam em média quatro mergulhos de 50 minutos por dia, sendo um noturno, além do mergulhos rápidos.
A riqueza da vida existente em Abrolhos foi apreciada em lugares como as grutas da ilha Siriba. Há 13 metros de profundidade, as grutas estreitas que permitem a passagem de apenas uma pessoa são cobertas de coral. Nestas grutas existe uma espécie de coral, a Mussismilia brasiliensis, que só é encontrada em Abrolhos. Na década de 80, Jacques Custeau esteve em Abrolhos estudando esta espécie, conta Gabriel.
Um navio de 102 metros de comprimento há 25 metros de profundidade foi outro ponto explorado pelos mergulhadores. O Rosalina naufragou em 1939 após chocar-se com corais durante uma viagem de Buenos Aires para Salvador. Hoje o navio serve de abrigo para o peixe Mero. Nós o vimos de perto, conta Fábio. É um peixe que tem cerca de 250 quilos.
Na saída do Rosalina, os mergulhadores se depararam ainda com um tubarão cação. A noite a aventura continuava na ilha Santa Bárbara. Esta é a única ilha habitada. Lá mora apenas uma família que controla o farol, conta Fábio. Segundo ele, a vida a noite dos animais submarinos é mais intensa. É depois que o sol se pões os animais saem das tocas e é possível ver de perto lagostas, moréias, o famoso frade branco que só é encontrado em Abrolhos, entre outros.
Em um desses mergulhos noturnos os mergulhadores tiveram uma experiência única, quando um badejo de 60 quilos ficou embaixo da escuna. Nós davamos comida na boca dele. Um dos mergulhadores até foi mordido ao assustá-lo aproximando-se por trás, lembra Gabriel.
Um lugar encantador, mas perigoso, era a região dos Chapeões, segundo os mergulhadores. Trata-se de uma formação de corais que nascem em média a 30 metros de profundidade e e crescem até a superfície. Em seguida começam a crescer para os lados e servem de abrigo para tartarugas, moréias, arraias, barracudas e peixe-frade.
Para chegar no local duas pessoas vão na proa da escuna guiando o barco para não chocar-se com os corais. A diversidade da vida na reserva, que é um viveiro de aves - fragatas, atobás, grazinas - encantou os mergulhadores que agora querem partir para mergulhos em outros lugares. Fernando de Noronha, Caribe Venezuelano e Cuba estão no roteiro.


