RIO VERDE
Guto Rocha
Especial para Folha Turismo
Com vários recantos para uma parada e pontos estratégicos de onde se tem belas panorâmicas, o parque é o lugar ideal para aventureiros e amantes da natureza
Para iniciar o passeio ecológico, o Parque Nacional da Tijuca é uma ótima alternativa. Maior floresta urbana do mundo, o parque oferece um clima de montanha os mais friorentos devem levar uma malha extra e uma rede de trilhas para caminhadas entre as árvores e os vários riachos e cascastas que descem da serra. As estradas pavimentadas também são um convite para passeios de carros, com vários recantos para uma parada e pontos estratégicos que oferecem uma vista privilegiada da Cidade Maravilhosa.
O parque, na verdade, é uma reserva que foi reconstituída após ter sido ocupada por atividades agrícolas. Foram três ciclos produtivos que acabaram com a Floresta Atlântica que cobria as encostas dos morros. O primeiro deles foi a cultura da cana-de-açúcar, seguido pelo café, que devastou a região. Finalmente a cultura do chá desenvolvida por quatro levas de trabalhadores trazidos da China entre 1813 e 1827 uma forma de aproximar a colônia aos hábitos europeus. Os chineses também foram os responsáveis pela abertura das estradas que cortam o Parque. Em homenagem a estes trabalhadores, a prefeitura do Rio ergue em 1903 quiosque da Vista Chinesa em um dos pontos privilegiados do Parque.
A reserva ainda guarda muitas construções do tempo do Império. A burguesia de origem européia escolheu o local para edificar casas de campo por causa do clima ameno, que permitia fugir do verão carioca sem a necessidade de sair da cidade.
O local começou a ser reflorestado a partir de 1862 sob o comando do major Manoel Gomes Archer, que tinha um grande viveiro de mudas em uma propriedade em Guaratiba. A recomposição da floresta foi necessária porque os cursos dágua que abasteciam a cidade começaram a secar com o desmatamento. O reflorestamento foi feito por seis escravos que, em 13 anos, plantaram mais de 100 mil mudas com espécies da flora brasileira, como jequitibás, manacás, jacarandás, palmeiras, samambaiaçus, orquídeas e muitas bromélias. Além das espécies exóticas trazidas como presente para o imperador, como eucaliptos e os pés de jacas.
Nas jaqueiras que margeiam as estradas que cortam o parque é possível avistar animais como macacos-pregos, saguis e catingueles (uma espécie de esquilo do Brasil) se deliciando com as grandes frutas amarelas. A fauna do parque também conta com exemplares de quatis, preguiças e uma grande variedade de aves, como gaviões, arapongas, tucanos, maritacas e periquitos.
Mais tarde, em 1874, major Archer foi para Petrópolis, e seu trabalho foi continuado pelo major Escragnolle, que ficou encarregado de reflorestar o lado norte da floresta. Mas mais do que reflorestar, Escragnolle embelezou o local com a implantação de vários recantos, caminhos e mirantes.
Oficialmente, o Parque Nacional da Tijuca foi criado em 1967. Por toda sua riqueza natural, foi elevado a Reserva da Biosfera pela Unesco em 1991. Com uma área de 3,2 mil hectares, o parque é local ideal para os amantes da natureza e dos aventureiros. As trilhas e estradas são ocupadas diariamente pelos cariocas que sobem o morro para correr, caminhadar e passar de bicicleta. A beleza do Parque também o tornou uns dos locais preferidos para locações de cenas de novelas e comerciais de televisões.
Através de um convênio firmado em março deste ano entre o Ibama e a Prefeitura do Rio, o Parque Nacional da Tijuca passou a ser administrado de forma compartilhada. Com isso, o local ganhou reforço na limpeza e principalmente na segurança, com a presença dos homens da Guarda Municipal. Isso trouxe mais tranquilidade ao local, e o número de pessoas que procuram o lugar para caminhar, andar de bicicleta ou contemplar o Rio das alturas praticamente triplicou, segundo a Riotur.





