Rio Taquari, atração do Pantanal
Da Redação
Apesar do assoreamento, rio pantaneiro ainda chama a atenção dos turistas, com a riqueza da fauna e flora e lugares que integram o visitante à vida campeira
O Rio Taquari, no passado, foi um dos mais piscosos do Pantanal. Hoje, apesar do assoreamento, ainda desperta a atenção de turistas do mundo inteiro, atraídos pela rica fauna e flora e pelos lugares que integram o visitante à vida campeira.
Uma viagem partindo de Corumbá até a região do Porto Rolon que dizem ser o centro de todo o ecossistema é fantástica. E chegando lá, a cinco minutos de barco do porto, a Pousada Sairu, nome de um peixe pantaneiro, reserva bons pacotes para quem ama a natureza, gosta de simplicidade e curte a calma do sertão.
Quem mais gosta de conviver em ambientes assim, onde o dia parece interminável e a noite estrelada é um convite aos apaixonados e a um bom bate-papo na varanda da casa, é o turista europeu e americano. Mas o brasileiro notadamente de Minas, São Paulo e estados do Sul já começa a se interessar pelo ecoturismo da região.
A pesca é a última opção, e uma consequência natural de quem chega ao Taquari. Pode-se pescar de barranco, em frente à pousada, ou subir o rio alguns minutos para encontrar os cardumes de pintados e pacus.
A Sairu é uma fazenda de 300 hectares, localizada às margens do Taquari e na divisa de dois pantanais, o da Nhecolândia e do Paiaguás. Lugar ideal para um lazer em família, com pacotes de até quatro dias e três noites período suficiente para desfrutar de passeios à cavalo ou de carreta, focagem noturna de jacarés, caminhadas e pescaria.
O ideal é acordar muito cedo e acompanhar a ordenha, a vacinação do rebanho e até como se cura o umbigo do bezerro, aprendendo um pouco das tarefas desempenhadas pelos peões. Ou alimentar com tuvira (isca para fisgar pintado) um casal de tuiuiús que está sendo criado na pousada. Tico e Teco eram recém-nascidos quando o ninho em que se encontravam foi destruído. Serão devolvidos ao seu ambiente quando se tornarem adultos.
O potencial do turismo rural na região levou o empresário Paulo Henrique Medeiros Rostey a apostar no novo empreendimento, que começou a construir há dois anos. A pousada é simples, mas com todo conforto (energia à motor, um alojamento para 14 pessoas, restaurante e dois apartamentos com ar condicionado e até 12 leitos).
A cozinha acompanha a rusticidade e não há quem resista a um arroz com galinha e carne seca com macarrão, pratos tradicionais do pantaneiro. O peixe fisgado é frito ou ensopado na hora, com mandioca e molho. E ainda tem o quebra-torto, um reforçado café da manhã dos peões à base de carreteiro, farofa, leite fresco e bolacha pantaneira.
A travessia de gado no Porto Rolon onde boiadas com até mil mil cabeças cruzam o Rio Taquari em direção aos leilões realizados na Nhecolândia é um espetáculo à parte que pode ser acompanhada pelo turista. As reservas na pousada têm que coincidir com a passagem do gado, geralmente no final de cada mês.
Quem tiver a oportunidade de assistir a travessia, certamente ficará maravilhado com a cena e com a prática dos peões, uma demonstração inequívoca da habilidade do homem pantaneiro e da adaptação do cavalo e do boi às condições do Pantanal.
Ao contrário da música imortalizada pelo violeiro paulista Tião Carreiro, que conta a travessia de uma boiada no Rio Araguaia, nenhum boi é jogado para as piranhas apesar da presença da feroz espécie no Taquari.
Corumbá (palavra do tupi-guarani, que significa lugar distante ou isolado) é a principal cidade do Pantanal Mato-Grossense. Distante 420 km a oeste de Campo Grande, a capital de Mato Grosso do Sul, tem 90 mil habitantes e está localizada na fronteira com a Bolívia. Suas principais atividades econômicas são a pecuária, a mineração e o turismo (de pesca e rural).
Cidade histórica, fundada há 221 anos, foi o principal entreposto comercial do oeste brasileiro até os anos 30 através da Hidrovia Paraguai-Paraná. O Casario do Porto, tombado em 1992 pelo Patrimônio Histórico Nacional, é um dos locais mais visitados pelos turistas.
TOME NOTA
Como chegar
De carro, o referencial é Campo Grande, ponto de convergência de quem chega a Mato Grosso do Sul. O acesso é pela rodovia BR-262, que corta o Pantanal. O ideal é sair da capital bem cedo e não ter pressa quando chegar à reserva ecológica, para observar jacarés, tuiuiús e outros animais concentrados nas lagoas que acompanham a rodovia.
Alguns cuidados devem ser tomados antes de encarar a estrada. Revisar o carro, por exemplo: nos últimos 200 quilômetros da viagem existem poucos serviços de apoio e socorro, como borracharia, mecânica e postos de combustível. A BR não tem acostamento, nesse trecho, e por isso não é aconselhável dirigir à noite por causa do risco de acidentes com animais na pista.
A TAM é a única empresa aérea a operar na região, com um vôo diário. Mas há a opção de desembarcar em Campo Grande, viajando também pela Vasp ou Varig, e seguir de ônibus executivo (ar condicionado, cafezinho e poltrona confortável) por cerca de seis horas. A passagem custa R$ 30,00. Informações sobre roteiros, pescarias e tarifas, ligar Sematur (0**67) 231-6996/231-6899 ou [email protected]
Corumbá-Porto Rolon
A viagem de barco até a região do Porto Rolon, partindo de Corumbá são 200 quilômetros , proporciona uma emoção incontida. São três horas e meia com motor de popa de 25 HP. Parece cansativa, à primeira vista, mas muitos que desfrutaram dessa aventura consideram o passeio mais divertido e extasiante do que outras atividades em terra. A rota para se chegar ao porto mudou com a intensidade do assoreamento do curso natural do Rio Taquari. Ao invés de navegar pelo Taquari velho, como se diz na região, a partir do Porto da Manga, o ideal é subir o Paraguai-Mirim e o Negrinho, afluentes do Rio Paraguai, até atingir o Taquari novo, que nada mais é do que um canal aberto a partir do polêmico arrombado Zé da Costa.
Passeios
Os passeios pelo campo durante a cheia provocada pelo transbordamento do Taquari de abril a junho , quando a água chega a altura da barriga do cavalo, é um dos principais atrativos. Os corixos ficam repletos de aves e de jacarés, com a abundância de peixes. A água cristalina é também um convite ao mergulho.
Um dos melhores pacotes oferecidos pela Pousada Sairu, e apreciado principalmente pelo europeu, é fazer parte de uma comitiva de gado. O turista vive a aventura de ser um autêntico peão, dorme em rede (com mosquiteiro) nos acampamentos e cavalga três dias tangendo o rebanho da fazenda. A pousada tem um site na Internet (http//www.pantanalnet.com.br/sairutur), onde detalha todos os pacotes. Maiores informações e reservas podem ser obtidas pelos telefones (0**67)231-5410 ou 231-6702.





