Rio Quente Resorts quer ser a 'Disney' de Caldas Novas
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terça-feira, 13 de abril de 2004
Stella Fontes<br> Agência Estado 
São Paulo - Nos próximos três anos, o Rio Quente Resorts ou Pousada do Rio Quente, como o complexo hoteleiro de Caldas Novas, em Goiás, é conhecido há quase 40 anos receberá investimentos de R$ 50 milhões. O aporte dá continuidade a um plano estratégico iniciado há cinco anos pelos sócios do resort, o Grupo Algar e a goiana Gebepar, e tem o objetivo de transformar o complexo hoteleiro em um pólo turístico voltado não apenas à hospedagem, mas também ao entretenimento.
''Numa analogia, assim como é a Disney para Orlando, queremos que o Rio Quente Resorts o seja para Caldas Novas'', diz o CEO do grupo Algar, José Mauro Leal Costa. Para desenhar a nova fase do Rio Quente Resorts, os sócios do complexo contrataram a mesma empresa responsável pelo projeto de ampliação da Disneyworld, a Landbase International Corporation.
Hoje, a antiga Pousada do Rio Quente abriga três hotéis próprios, dois flats e dois parques aquáticos, o Hot Park e o Parque das Fontes. Juntos, os empreendimentos obtêm faturamento anual superior a R$ 100 milhões e empregam 700 funcionários. Há alguns anos, antes do início da reestruturação do complexo, a receita anual não passava de R$ 25 milhões. Para atrair mais turistas, os sócios pediram às companhias aéreas a oferta de vôos semanais para a região de Caldas Novas (cinco atualmente), além dos fretados. Somente em janeiro, foram fretados 97 vôos.
Além do impacto no faturamento, os primeiros passos do plano estratégico trouxeram outros resultados positivos. De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Resorts, o Rio Quente hospedou no ano passado 24% de todo o público do setor ou o equivalente a 17% da receita total dos resorts brasileiros , participação que garantiu sua primeira colocação no ranking nacional do segmento. ''Queremos também chegar ao turista internacional. Mas isso requer melhorias na logística e acessos à região'', afirma.
Foram mais de 935 mil hóspedes no ano passado, dos quais 3% estrangeiros, que garantiram uma média de ocupação anual de 70%. Essa taxa tem se mantido nos últimos 10 anos e ultrapassa os 90% durante a alta temporada, em janeiro e julho. De acordo com Costa, a ''transformação'' do complexo hoteleiro vai passar pela ampliação do número de apartamentos, para 823 unidades, com a inauguração de mais um flat em junho, embora este não seja o foco do plano estratégico.
''Essa mudança de rumo começou há alguns anos, com vistas a transformar a pousada em um complexo turístico voltado para a família'', explica o executivo. A própria troca de denominação do complexo, de pousada para resort, entrou no planejamento e a mudança está sendo trabalhada paulatinamente. A proposta é não perder o peso da já tradicional ''Pousada do Rio Quente'', mas vincular o complexo a um empreendimento moderno. ''Hoje tratamos o complexo como Rio Quente Resorts, mas não queremos substituir de uma vez um nome, que se desenvolveu durante anos'', explica Costa.
Um dos pilares do plano estratégico é oferecer lazer para toda a família. Assim, em vez de diversões aquáticas radicais mais populares entre os jovens , os sócios optaram por investir em atrações ''universais''. ''Aproveitamos a topografia do resort para integrar os brinquedos e evitamos aquelas palafitas que sustentam as atrações em outros parques'', exemplifica Costa. No parque de águas, um palco profissional foi montado e músicos como Ivete Sangalo ou a banda Chiclete com Banana já animaram a platéia nas piscinas termais.O Rio Quente Resorts também vai passar por reestruturação administrativa.
O grupo mineiro Algar e a Gebepar possuem, cada um, 50% das ações da Rio Quente Empreendimentos e Participações, controladora da Companhia Thermas do Rio Quente, que, por sua vez, tem o controle do Rio Quente Resorts. Além da participação no complexo, a Algar atua no segmento de telecomunicações, por meio da CTBC, no transporte e armazenamento de soja (ABC Inco) e no setor de serviços (administração de consórcios e impressão a laser). Juntos, os negócios proporcionam receita anual de R$ 1,5 bilhão ao grupo. A Gebepar Participações Investimentos investe em telecomunicações, turismo e agricultura.


