Rio A geografia é privilegiada: floresta, montanhas, praias, lagoas. Mas não se trata de um país. Essa variedade de relevos está toda concentrada em uma única cidade: o Rio de Janeiro. Além de encher os olhos, tais cenários favorecem a prática de esportes de aventura, como trekking, escalada, vôo livre, mergulho, windsurfe e kite surfe, entre muitos outros. Não há dúvidas de que a natureza realmente estava inspirada quando criou a capital fluminense.
Para quem mora na cidade, um privilégio. ''Às vezes saio do trabalho, faço uma escalada rápida e vou para casa jantar'', diz o presidente da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj), Bernardo Collares. Para ele, o principal ponto de escalada da cidade é o complexo da Urca, com 300 vias. ''Pelo que sei, o Rio é o maior centro de escalada urbana do mundo'', afirma.
A apenas 20 quilômetros do centro, a Floresta da Tijuca (maior floresta urbana do mundo, com 3.200 hectares de área) é uma ótima opção de lazer e gratuita. Além de turistas e caminhantes, a Floresta da Tijuca reúne também trekkers em busca de uma área de treino. E para quem ainda não conhece bem o esporte, a prefeitura, por meio da Fundação Rio-Esportes, montou há três meses a Escola de Trekking. Todos os sábados, das 9 às 11 horas, os alunos reúnem-se na Quinta da Boa Vista para ter noções de orientação e técnicas de regularidade.
Entre os esportes terrestres, talvez o off-road seja o mais carente em opções. ''Temos só duas trilhas em Jacarepaguá, a do Jaqueiro e a do Catonho'', diz o presidente do Jeep Clube do Rio, Clóvis Figueiredo. Ele diz que os caminhos são curtos, mas têm alto grau de dificuldade.
Não é à toa que a rampa da Pedra Bonita, em São Conrado, é a mais movimentada do Brasil e uma das que mais realizam vôos duplos de parapente e asa-delta no mundo. Só este ano, foram 27 mil vôos duplos, segundo dados da Associação de Vôo Livre do Rio de Janeiro (AVLRJ). A maior parte foi feita por turistas interessados em ter uma visão única das belezas singulares da capital fluminense. Segundo o presidente da associação, 70% deles são estrangeiros.
Quem decola do local costuma sobrevoar a Praia do Pepino e pode até ver o Cristo Redentor e a Praia de Copacabana, dependendo da altura que conseguir alcançar durante o trajeto. Para quem tem experiência, o desafio é chegar ao Cristo e voltar a São Conrado.
Por causa do grande movimento na rampa nos fins de semana há cerca de 300 decolagens por dia a preocupação com a segurança é grande. Em todos os vôos, a AVLRJ cobra uma taxa de R$ 10 para manter a estrutura na área do pouso, com banheiros e chuveiro. Além disso, só voa sozinho quem tem habilitação.
Com bom clima e belas praias, a Barra da Tijuca tem a combinação ideal para a prática de esportes aquáticos. Ali, concentram-se os adeptos de windsurfe e de kitesurfe. ''É lá que ocorrem os melhores ventos'', diz o presidente da Associação Carioca de Windsurfe (ACW), Conrado Estrella. Para os kitesurfistas, a prefeitura até reservou uma área na praia.
Para praticar esses esportes é preciso fazer um curso. ''O windsurfe é um esporte radical. É preciso treinar para saber sair de situações de risco'', avisa Estrella. Segundo ele, são necessárias ao menos dez aulas para ter o domínio na prancha de windsurfe e cerca de três para arriscar manobras no kitesurfe.

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