Rio - A quatro meses dos Jogos Pan-Americanos, Dionísio (deus grego do espírito e da cultura) ensaia invadir a festa de Apolo (deus da beleza física e dos esportes). A secretaria especial do Pan, que organiza o evento no Rio de Janeiro ainda prepara a agenda de espetáculos para o período - de 13 a 29 de julho, mas a cidade que se sente capital cultural do País tem muitos e diversificados atrativos para os 500 mil turistas e 5,5 mil atletas esperados. Difícil será conciliar tanta diversão e arte com a agenda de 330 disputas esportivas previstas.
A começar por museus. No Rio, ficam os maiores do País, como o Histórico Nacional, com mostras do nosso cotidiano, da pré-história até hoje. As coleções de vestuário e a de carruagens são as mais visitadas.
O Nacional de Belas Artes tem obras fundamentais, como a ''Primeira Missa no Brasil'', de Vitor Meireles; ''Café'', de Cândido Portinari, e ''Auto-Retrato'', de Tarsila do Amaral, além dos contemporâneos Daniel Senise e Beatriz Milhazes.
Na Quinta da Boa Vista, a história do Império convive com a maior coleção científica da América do Sul: minerais raros, dinossauros e outros bichos grandes e pequenos que viveram aqui há mais dez mil anos. Durante o Pan, todos terão horário ampliado.
Há museus específicos. O de Carmem Miranda, embora mal instalado no Aterro do Flamengo, tem fotos, roupas e balangandãs da cantora e exibe filmes da pequena notável. O Oi Futuro, ali perto, é o caçula, dedicado às telecomunicações, com um acervo de gravações, desde os discursos de Getúlio Vargas aos poemas declamados por Maria Bethânia. Os centros culturais Banco do Brasil e o da Caixa Econômica Federal têm exposições gratuitas e espetáculos de música e teatro a preços camaradas.
Os mais antenados podem andar na rua e apreciar obras fundamentais da arquitetura carioca, como o Museu de Arte Moderna (MAM, projetado por Affonso Reidy) e o Palácio Gustavo Capanema (inspirado em Le Corbusier, projeto coletivo de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e outros, nos anos 30).
O Rio, aliás, é um compêndio vivo de arquitetura. O Instituto dos Arquitetos do Brasil recebe romarias de profissionais e estudantes de todo o mundo para apreciar os monumentos dos séculos 16 (a Santa Casa de Misericórdia), as igrejas do século 18 (o outeiro da Glória) e 19 (a antiga Catedral) ou o triângulo Theatro Municipal, Biblioteca Nacional e Museu Nacional de Belas Artes, pérolas da belle époque.
A Lapa, no centro, serve a estes estudiosos e a quem procura diversão farta e barata. O aqueduto que domina o bairro é do século 17; o casario, de 200 anos depois, mas a música é de hoje e da melhor qualidade, do samba ao techno, sem esquecer a música étnica (jongo e maracatu) e a mistura de tudo isso.
São mais de 40 bares e restaurantes, alguns centenários, como o Capela, outros novos em folha, como o Céu Aberto. Ali, a noite começa cedo e só termina depois de o sol nascer, bem na hora que começa a maratona esportiva.
O Rio de Janeiro é conhecido no mundo por suas praias, o Carnaval e a maior floresta urbana do planeta. Copacabana e Ipanema foram cantadas em verso e prosa e tornaram famosa a segunda maior metrópole do Brasil. (Beatriz Coelho Silva/Agência Estado)

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