O Rio de Janeiro descobriu que os viajantes gays são o novo segmento quente do turismo. ‘‘Mais e mais grandes agências de turismo estão olhando para nós e para quanto os gays e lésbicas gastam’’, disse Richard Gray, membro executivo da Associação Internacional de Viagens de Gays e Lésbicas (AIVGL) em uma conferência recente do grupo no Rio. ‘‘Nós temos dinheiro sobrando e viagens são nosso maior gasto.’’
A associação, que agrupa 1.350 agentes de viagens e de outros negócios ligados à clientela gay e lésbica, tem uma missão dupla: encontrar locais turísticos onde casais do mesmo sexo se sintam em casa e esclarecer outros sobre os turistas gays.
A indústria do turismo, que costumava associar viagens gays com festas selvagens cheias de sexo e drogas, tratava o grupo como pária até recentemente, quando cidades como o Rio passaram a procurá-los. ‘‘É preciso perceber que eles não têm que ter medo de receber convidados gays e lésbicas’’, disse Gray. ‘‘Nós vamos a um país e eles vêem que não usamos vestidos ou coisa parecida. Ele vêem que podem se sentir confortáveis fazendo negócios conosco e são negócios muito bons.’’
Os turistas gays tendem a ser casais com duas fontes de renda e sem filhos, com grandes orçamentos de viagem que eles querem gastar em turismo de alta qualidade, diz o departamento de marketing do Rio.
Estatísticas sobre o tamanho do setor ainda não são precisas, mas evidências constatadas pelos filiados da associação de viagens gays sugerem fortemente que o mercado está apresentando um aumento no gasto de dinheiro em grandes quantidades. -
Ansioso por cimentar relações com este comércio rentável, o Rio fez um esforço especial para co-patrocinar o encontro da AIVGL no Brasil. ‘‘Achamos que esta é uma linha de turismo que traz muitos lucros para a cidade’’, disse Ingrid Heins, do departamento de marketing do Rio. ‘‘É um grupo de pessoas que em sua maioria são muito bem posicionadas na vida e têm muito dinheiro para gastar, e quando elas gastam, gastam corretamente. Não é como o turismo sexual, que definitivamente desaprovamos totalmente’’, ela disse.
Para atrair a multidão de gays abastados o ano inteiro, agentes de viagens locais estão indicando hotéis, restaurantes e outros pontos onde eles se sintam confortáveis. A associação de viagem se preocupa principalmente com que os casais do mesmo sexo evitem situações onde eles possam ser molestados, olhados ou expulsos.
O grupo boicotou as Ilhas Cayman, por exemplo, depois que o resort caribenho se recusou a deixar um cruzeiro lésbico aportar. ‘‘É claro que temos um longo caminho a percorrer, mas o Brasil tem as melhores condições para atrair esta clientela quando comparado com a Argentina ou o Chile’’, disse Barbara Ronchi, que dirige a Style Travel, uma agência de viagens local voltada para os gays.ReproduçãoMaravilhosaAgências especializadas do Rio indicam hotéis, restaurantes e outros pontos da cidade onde os turistas gays se sintam confortáveisTracey Ober
AE-Reuters

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