A festa mais esperada do ano começa logo mais na mercearia do Medelim. Os preparativos para a grande sanfonada (rinfinfim) consomem muita energia dos convidados. Durante um ano, o povo aguardou ansiosamente pela festança, e no grande dia, a expectativa toma conta de todos. A história de ‘‘Rinfinfim no Mendelim’’, em cartaz hoje e amanhã no Teatro Zaqueu de Melo, às 19 horas, com o Grupo Teatral Moitará, do Rio de Janeiro, recai sobre um dia na vida de um personagem, nas horas que antecedem esse acontecimento musical importante, que agita o cotidiano de um vilarejo.
Seo Hilário (velho que representa a memória cultural) vislumbra nesse acontecimento uma oportunidade para conquistar Maria. No desenrolar da história, aparece Pipi (representando a infância que pertence a todos), que procura criar situações para ir à festa com seo Hilário. O espetáculo termina justamente na hora de começar a festança. ‘‘Rinfinfim do Medelim’’ possui uma característica de interatividade com a platéia, os personagens trazem o público para o universo inventivo.
O espetáculo, segundo o diretor Venício Fonseca, bebe na fonte da cultura popular, refletindo a infância universal. É através da utilização da máscara teatral, que o Grupo Teatral Moitará fundamenta seus estudos e sua linguagem cênica. Todo o caráter ritualístico das festas, por vezes, se torna obscuro em função da preparação.
O espetáculo do Moitará mostra as fantasias criadas a partir da expectativa do que pode acontecer na festa. Os personagens querem apresentar o melhor de si naquele momento que ficará marcado na memória de todos. Mas no meio do caminho de um grande acontecimento podem acontecer vários percalços. ‘‘A festa é o momento de conquista, de realizar todos os desejos’’, resume Venício Fonseca.
‘‘Rinfinfim no Mendelim’’ retrata o lado genuíno, puro, a disponibilidade, ação direta e verdadeira da criança. O grupo escolheu essa vertente teatral buscando elementos representativos do universo cultural brasileiro, pesquisando cantigas, advinhas, lendas, jogos, todos sobreviventes da tradição oral, passados de geração a geração.
O Moitará trouxe elementos que subexistem no inconsciente coletivo de comunidades interioranas. Eles resgatam elementos da Commedia dell’Arte, parecendo estar improvisando a cada instante. Apesar desse diálogo com elementos representativos da Idade Média, o diretor Venício Fonseca reitera que esse espetáculo é atemporal.

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