Rimas na folia
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um dos rappers mais ativos do movimento hip hop local será um dos personagens mais importantes do Carnaval 2009 de Londrina. MC Rei, codinome de Reinaldo Barbosa, é nada mais e nada menos do que o autor dos sambas enredos das três escolas de samba do Grupo B: Quilombo dos Palmares, Unidos do Jardim do Sol e Alegria na Passarela.
As três escolas desfilam no próximo sábado, a partir de 21h, no Autódromo Internacional Ayrton Senna. Rei é o idealizador e fundador do grupo feminino de rap Fábrika da Rima, surgido a partir de oficinas que ele realizou no Colégio Benjamin Constant. Ali ele atua como compositor e MC, dividindo os vocais com as meninas.
Temporariamente, suspendeu as atividades no grupo para se dedicar ao Carnaval. Para a Quilombo dos Palmares, compôs o enredo ''Liberdade, o retorno da Quilombo'', em parceria com o compositor Braga. Para a Unidos do Jardim do Sol, escreveu o tema e a melodia do enredo ''Em Time que está Ganhando Não se Mexe''.
E para a Alegria na Passarela, assinou o enredo ''Em Noite de Carnaval não importa o Ritmo - A Passarela é Nossa''. É a primeira vez que Rei colabora simultaneamente com três agremiações, embora seja participante de longa data da folia. ''Minha participação no Carnaval de rua de Londrina é mais antiga que minha atuação no movimento hip hop'', conta.
''Durante três anos seguidos, fiz samba enredo para as escolas Barroca e Chão de Estrelas (já extintas). Isso faz tanto tempo que não me lembro se foi nos anos 80 ou nos 90.'' Em 2007, Rei voltou a atuar fazendo o enredo da Quilombos dos Palmares, além de puxar o samba da escola na avenida ao lado da cantora Indayana Oliveira.
No ano passado, foi a vez da Unidos do Jardim do Sol descer a passarela com um enredo de sua autoria. ''Peguei o refrão de um funk do filme Tropa de Elite e adaptei a letra. Foi o samba mais cantado da avenida. E como não se mexe em time que está ganhando, repeti a fórmula este ano adaptando o refrão do funk Créu. Vou levar outra vez para a avenida essa mistura do funk com o carnaval'', diz.
Já para a Quilombos, Rei recebeu a sugestão de Serginho, presidente da escola, para trabalhar o tema dos sonhos dos negros pela liberdade. ''Estamos na era tecnológica e alguns negros ainda são escravizados. Procurei falar sobre isso, lembrando que a Lei Áurea serviu para poucos'', assinala.
O enredo desenvolvido para a Alegria na Passarela, por sua vez, aborda a diversidade de ritmos musicais. ''Falo de vários gêneros e enfatizo que o blues, o rap, o samba e o jazz têm muito em comum por serem marginalizados'', sublinha. Rei afirma que a criação dos enredos não lhe tomou muito tempo. ''Tudo que faço, faço de coração. Quando começo a compor as letras e as melodias dos sambas, tudo sai rápido. Em meia hora, está tudo pronto. É um dom, tenho facilidade para isso'', revela.
Ele salienta que a experiência de ouvir o povo cantando os sambas de sua autoria nas arquibancadas, ''não tem preço que pague''. ''É como estar nos barracões ao lado das tias observando-as costurarem os figurinos para o desfile'', completa. Na Alegria na Passarela, além de autor do enredo, Rei assumiu pela primeira vez o posto de carnavalesco da escola.


