São Paulo, 26 (AE) - A Troca de Pele que define o tema da exposição de Ricardo Ribenboim na Galeria Nara Roesler pode ser entendida tanto como alegoria da transformação superficial como uma nova abordagem do neoconcretismo, que está completando justamente 40 anos. De imediato, o espectador vai associar essas peças com os bichos de Lygia Clark. E está coberto de razão. Os bichos de Ribenboim também são articuláveis e fazem um barulho dos diabos quando alguém mexe neles. Como os neconcretistas deixaram claro no manifesto redigido por Ferreira Gullar em 1959
Ribenboim também não acredita na obra de arte como máquina ou objeto, mas como um quasi-corpus.
Ribenboim, por intermédio de 17 peças projetadas por computador, realiza uma decupagem da forma, simula movimentos e processa uma "desconstrução" derridaniana na imagem para projetar a idéia do concreto e tornar física a projeção. Ou seja
reinventa o desenho, que se transforma em escultura real, para superar o mecanicismo material da obra. Uma delas, aliás, é a projeção de uma imagem de computador sobre pó de mármore, superando a virtualidade e o espaço objetivo para articular uma nova significação.
"Queria fazer um trabalho que não estivesse vinculado às questões contemporâneas e sim às questões do indivíduo, ao prazer e à memória ", explica Ribenboim. Assim, muita gente vai ver no "bicho" da entrada da galeria um monstro como a lagarta que cruzava o deserto em Duna, enquanto outros poderão identificar movimentos sensuais de bichos que se enroscam e envolvem outros bichos, como os trepantes neoconcretos.
A origem desses desenhos que se transformam em esculturas cinéticas é um brinquedo popular chileno, revela o artista. "Ele tem um princípio construtivo muito semelhante a essas peças de madeira", observa. O fato de Ribenboim, um sofisticado designer, ter eleito um objeto lúdico e não a geometria descritiva de Pevsner como referência é revelador. "A arte contemporânea deixou de lado a participação direta, trocando-a pelo intimismo excessivo que o espectador não alcança", diz, justificando a presença do simulacro animal para que esse mesmo observador não fique preso à forma. Ribenboim preserva, assim, a autonomia da peça e rejeita a objetividade científica da era da informática. Usando, por ironia, o próprio computador.

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