Reznor abre nova corrente no rock industrial
São Paulo, 24 (AE) - Para Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, este disco é um dos melhores que pintaram na praça nos últimos dez anos. Flea não exagera. O duplo "Fragile", da banda-projeto Nine Inch Nails, é realmente um espanto. Há um bom tempo o músico Trent Reznor, do Nine Inch Nails, vem sendo apontado como o grande responsável pelo estabelecimento de uma nova corrente do rock industrial, influenciando praticamente tudo o que ouvimos nessa seara ultimamente - como Marilyn Manson, por exemplo. Ele também marca presença na trilhas de filmes como "Assassinos por Natureza", de Oliver Stone, e "A Estrada Perdida", de David Lynch.
Reznor divide o disco duplo em duas partes: esquerda e direita. Parece ironia, mas é só uma convenção. As duas são igualmente transgressivas. Há cinco anos o Nine Inch Nails não fazia um disco (o último foi "The Downward Spiral", de 1994). Um clima pós-apocalíptico perpassa os temas, sejam os instrumentais (como "The Way out Is through"), mas é no senso experimental de Reznor que reside a novidade.
Nas 23 canções do CD, Reznor brada contra a indiferença e a apatia de Deus ("The Wretched") usando um pianinho singelo perpassado por sons espectrais eletrônicos. Não é só: há violoncelos, violinos convivendo com guitarras e linhas de baixo e percussão tenebrosas. Reznor, como sempre se antecipando à nova onda, dá as coordenadas para que seu gênero não se esgote antes do tempo. SERVIÇO - Fragile. CD duplo do Nine Inch Nails. Lançamento Universal Music. R$ 38,00





