O atual ciclo revisionista do pop ganha impulso com a publicação do livro ``Dias de Luta O Rock e o Brasil dos anos 80`` (DBA), de autoria de Ricardo Alexandre, editor da revista Frente.
O lançamento, anunciado para hoje, foi adiado para o dia 11 de novembro por causa dos atrasos de gráfica. O livro narra a saga da geração de Renato Russo e Cazuza recapitulando histórias, personagens, discos e canções de uma época recente demais para uma avalição crítica mais rigorosa.
O jornalista levou seis anos para concluí-lo. São 400 páginas com mais de 100 entrevistas com 77 artistas, produtores e testemunhas do período. ``É um livro de contextualização histórica`` define o autor no material de divulgação distribuído à imprensa.
``O RPM, por exemplo, que foi o maior fenômeno de popularidade da época, é fruto de uma porção de elementos díspares que só podem ser compreendidos pela contextualização: cultura das danceterias, a onda dos remixes, rádios-rock, a absorção do rock pelas grandes corporações etc. Tudo no livro vem de algum lugar e dá em alguma coisa. Queria que toda aquela massa de informação fosse útil para o leitor entender a história da música brasileira. E que o texto fosse pop e agradável para não-iniciados``.
Entre as surpresas do volume consta a última entrevista de Renato Russo, feita pouco dias antes de sua morte. Na ocasião, o autor estava no Rio de Janeiro cobrindo a feira CD Expo de 1996 para o jornal Estado de S. Paulo. No material de divulgação, ele conta que o papo com o líder da Legião Urbana foi possível graças à ajuda de Dado Villa-Lobos e Paulo Ricardo, que intermediaram a conversa depois de serem entrevistados para o livro.
``Ambos me prometeram fazer as honras com Renato Russo, que havia meses não aparecia em lugar algum e dava entrevistas raríssimas. Eu esperava encontrá-lo pessoalmente, mas Renato me ligou de madrugada dizendo que com ele não tinha `esse negócio de marcar antes`, que queria fazer por telefone e devia ser naquele instante. Espetei o gravador ao telefone e fiz. Foi uma entrevista tensa, pra falar a verdade. Ele estava totalmente irritadiço, tossia sem parar e eu, meio intimidado porque achava que ele estava por bater o telefone na minha cara a qualquer momento. Pensei: `tudo bem, agora ele já me conhece, eu faço uma segunda entrevista mais pra frente`.
Renato morreu três meses depois. Além dele, nomes como Herbert Vianna, Paulo Ricardo, Lulu Santos, Arnaldo Antunes, João Gordo, Lobão, Evandro Mesquita, Nando Reis, Marcelo Frommer, Liminha, Nelson Motta, André Midami e vários outros também fornecem depoimentos reveladores sobre o que se passava dentro e fora dos palcos e estúdios de gravação na década de ouro do pop verde-amarelo.
O livro tem orelha assinada por Samuel Rosa, do Skank. Ao final do texto, há bibliografia, discografia dos trinta principais grupos e artistas do rock dos anos 80 e o índice onomástico completo com todos os citados. Estará à venda a R$ 39,50.

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