Revival electro
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O electro, última tendência do pop mundial, é o destaque de hoje na programação da MTV. O ritmo virou tema do documentário ''Choque de Culturas'', que será exibido às 23 horas no ''Amp'', o programa da emissora especializado em música eletrônica.
Electro é chamado de neo-electro por alguns críticos, para os quais o estilo seria apenas uma reciclagem do gênero homônimo surgido nos anos 80. Os entusiastas, por sua vez, vêem a novidade como o primeiro movimento musical e comportamental jovem gestado no terceiro milênio.
O som é recheado de sintetizadores, incorporando batidas retrô de grupos como Soft Cell, Human League, Depeche Mode e Yazoo. O visual dos simpatizantes empresta referências do punk e do gótico. Em Berlim, berço da tendência, é comum topar adeptos de cabelos moicanos e lápis nos olhos dançando nas pistas dos clubes.
A DJ francesa Miss Kittin, que se apresentou em São Paulo e Rio de Janeiro há poucos dias, figura como uma das atrações do documentário ao lado de Ladytron, Peaches, Creme Blush, Scissor Sisters, Hungry Wives e Fischerspooner. Este último integra o selo Gigolo Records, cujo elenco foi objeto de badaladas reportagens em revistas européias.
A imprensa passou a adotar a expressão ''estilo gigolô'' para caracterizar o comportamento da turma, que consistiria em ser glamouroso combinando camiseta, jeans e muito champanhe. Já o som, influenciado pelo Kraftwerk e pitadas de punk rock, foi rotulado por alguns de synthcore (mistura de sintetizador com hardcore).
Fischerspooner foi idealizado por dois alunos do Art Institute of Chicago (EUA). Já foi chamado de ''casamento entre Blade Runner e Sex Pistols''. Sua formação inclui performers com maquiagem pesada e muita influência de teatro. Ladytron, outro expoente da corrente, vem de Liverpool (Inglaterra). No ano passado, lançou o álbum ''Light & Magic'', que estourou nas pistas e como trilha sonora de desfiles de moda.
As faixas de seu disco combinam timbres analógicos de teclados com guitarras e vocais recheados de efeitos. No palco, os integrantes costumam se apresentar com roupas iguais mantendo-se durante todo o tempo do show atrás das máquinas, como uma paródia do grupo alemão Kraftwerk. Com ênfase na cena norte-americana, o documentário mostra a ascensão da vertente em Nova York, quando as casas noturnas já estavam saturadas de techno, house e drum'n'bass.
Ali, o electro seria rebatizado ''electroclash'' ao fermentar nas ruas do bairro de Williamburg, no Brooklyn. O programa lembra o período o final dos anos 90 em que o prefeito Rudolf Giuliani fez do ataque à vida noturna local, um dos pilares de seu plano para melhorar a qualidade de vida da cidade. Mostra como, a partir daí, o baque sofrido pela cultura dos clubes só foi dar uma virada com a aparição do electro, que colocou a cidade novamente no mapa cultural internacional.
O especial reúne depoimentos de artistas, jornalistas, produtores e outros profissionais ligados à cena. Os papos giram em torno da importância da internet, a influência da moda, a atitude punk do ''faça-você-mesmo'' e o caráter supostamente político do ''movimento''. O documentário foi dirigido pelo jornalista Guto Barra e produzido pela agência de notícias Planet Pop. Tem duração de 46 minutos e será reprisado no domingo às 16 horas.
Serviço:
Hoje na MTV: exibição do documentário ''Choque de Culturas A Ascensão da Nova Cena do Electro''. Horário: 23 horas. Reprise no domingo às 16 horas.


