Eles já não pensam só naquilo. E os assuntos de interesse também ultrapassam o tradicional futebol e os últimos modelos no automobilismo. Agora, moda, culinária, estética, saúde, comportamento e tendências podem ser encontradas em centenas de páginas mensais direcionadas ao universo onde predomina testosterona.
  Se antigamente apenas as mulheres podiam se entreter com revistas especializadas ao gênero (aquelas que exibem comumente a fórmula dos sonhos ‘‘ficar em forma-casamento-felicidade-trabalho-família-sexo’’), é cada vez mais crescente o número de publicações que investem no novo perfil masculino, ou melhor, no novo modelo de sociedade.
  O médico Carlos Ikoma, 38 anos, até pouco tempo sentia-se envergonhado quando ia ao salão para cortar os cabelos e fazer limpeza de pele. ‘‘Era um monte de mulheres e só eu de homem no meio’’, confessa. Para ele, essas revistas abriram um leque de possibilidades ao homem. ‘‘Em lojas unissex, antes você só encontrava publicações para mulheres, mas agora já vejo algumas revistas para nós. Gosto muito de saber quais são os lançamentos em vestuários’’, disse. Apesar de não ter o hábito de comprá-las com frequência, Ikoma afirma que sempre busca leituras que não estejam relacionadas com sua área de atuação.
  Folheando uma revista e outra, é natural encontrar matérias que buscam confortar os homens nas mais diversas situações. Na versão brasileira de Men’s Health, lançada no mercado há seis meses, é possível encontar algumas soluções rápidas em caso de uma gafe recém-cometida na frente da pretendente – o que fazer quando você acabou de queimar o céu da boca após morder uma pizza pelando de quente? – ou até mesmo indicar receitas simples para construir uma barriga de tanquinho. E claro, um guia para tirar o máximo de resultados em uma das malhações prediletas dos homens: sexo!
  ‘‘Antes, quando se falava em revitas masculinas, você só encontrava sexo, futebol e automóvel, como se apenas isso girasse em torno da gente. E os homens que se interessavam por perfume, roupa, estética eram muito mal-vistos. Minha esposa prefere que eu leia esse tipo de revistas ao invés de ler sobre futebol’’, destacou o médico. Ikoma lembra que existem muitos rótulos preconceituosos, como relacionar determinadas profissões a homossexualidade. ‘‘Acredito que o homem é muito reservado para tocar em determinados assuntos. Você não pode, por exemplo, comentar sobre um lançamento de uma roupa, pois não é muito natural.Mas apesar das barreiras, esse cenário está mudando’’, afirmou. Outro ponto lembrado pelo médico é a diferença de valores concedidos em relação ao custo X benefício. ‘‘Percebo que o homem não acha ruim em pagar R$ 200 mil num carro, mas acha caro uma calça de R$ 300,00, e isso já vem da cultura brasileira’’, disse.

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