Cinquenta anos depois de sua descoberta, os manuscritos do Mar Morto, essenciais para a compreensão do judaísmo e das origens do cristianismo, desvendam alguns segredos, no semanário francês La Vie que vai publicar na sua edição de hoje trechos da tradução oficial.
A publicação integral dos textos da comunidade de Qumran poderia pôr fim a anos de polêmicas de ordem científica, teológica e política, por isso diferentes países já tentaram se apropriar dos manuscritos, lembra La Vie.
A equipe oficial encarregada da edição de tais textos pelos Serviços de antiguidades israelenses se prepara para publicar integralmente no mês que vem o 39º e último volume dos 800 manuscritos, pela editora Oxford University Press.
Num dia de 1947, numerosos pergaminhos, escritos em hebraico, entre eles alguns intactos, foram encontrados em uma gruta suspensa do Mar Morto. Em dois meses, dez outras grutas foram descobertas, com documentos que ofuscam os conhecimentos da Bíblia, a história do judaísmo e o começo do cristianismo.
Quase toda a Bíblia hebraica (O Antigo Testamento) foi encontrada em Qumran, fornecendo manuscritos mil anos mais antigos do que aqueles sobre os quais foram fundadas as edições da Bíblia.
Por exemplo, Habaquq um livro profético do Antigo Testamento conta o conflito entre o ''Senhor da Justiça'' e o ''Padre Ímpio''. Há também ''O Dever do Templo'', um longo discurso de Deus a Moisés, que seria de um texto escrito muito antes da existência da comunidade de Qumran.
A coleção conta com 30% de manuscritos bíblicos, 30% de textos religiosos e 15% de fragmentos minúsculos e indecifráveis. O registro no carbono 14 e paleografia situam os textos entre 300 a.C e 100 d.C.

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