Revista 'Front' destaca o amor
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Diego Assis Agência Folha 
Quem não se lembra daquele antológico álbum de figurinhas dos anos 80 que trazia um casal de peladinhos nas mais diversas situações e que atendia pelo nome de Amar É...? Três tipos de pessoas: os que não tiveram infância, os que não têm uma irmã e, principalmente, os que nasceram há menos de 20 anos.
Os ilustradores e quadrinistas Kipper, Orlando e Maringoni certamente passaram por isso (só não sei quanto à segunda opção). Principais responsáveis pela revista de quadrinhos Front, que terá seu nono número lançado na sexta-feira, no bar Central das Artes, em São Paulo, eles resolveram dedicar uma edição inteira da revista ao tema amor, sutilmente sugerido no título A maré.
Nossa idéia era fugir de uma coisa mais infantil, adolescente, justifica Kipper. Não que eu não gostasse de ver um leitor de X-Men comprando a nossa revista, adianta-se.
Com uma mistura de histórias em quadrinhos, ilustrações, foto-montagens e textos corridos, a revista reúne trabalhos de 31 artistas, dentre os quais nomes mais conhecidos do público em geral, como Caco Galhardo, Jal, Galvão - além dos três organizadores citados acima - , e alguns (ainda) nem tanto, como é o caso dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Allan Sieber e Samuel Casal, entre outros.
O leitor pode até estranhar algumas narrativas mais esquisitas ou experimentais, mas é que organizar um trabalho desse é como montar uma seleção de futebol. Tem que botar junto para pegar entrosamento, destaca Kipper.
Na verdade, a tal seleção não vem jogando há tanto tempo assim. Ao contrário do que se poderia esperar, a Front surgiu há menos de um ano, já no número sete, segundo Kipper, para evitar a maldição do número 5. Os encontros dos quadrinistas, roteiristas e ilustradores desde então vêm acontecendo por meio de uma lista de discussões na internet, no que se convencionou chamar de edição participativa.
E o resultado tem sido tão proveitoso que, nesse momento, eles já preparam novas histórias para a Front 11, que deve falar sobre violência. Não, eles não têm medo da maldição da número 10 também: esta já está devidamente discutida, diagramada e fechada para ir para a gráfica nos próximos dias.


