Quem não se lembra daquele antológico álbum de figurinhas dos anos 80 que trazia um casal de peladinhos nas mais diversas situações e que atendia pelo nome de ‘‘Amar É...’’? Três tipos de pessoas: os que não tiveram ‘‘infância’’, os que não têm uma irmã e, principalmente, os que nasceram há menos de 20 anos.
Os ilustradores e quadrinistas Kipper, Orlando e Maringoni certamente passaram por isso (só não sei quanto à segunda opção). Principais responsáveis pela revista de quadrinhos ‘‘Front’’, que terá seu nono número lançado na sexta-feira, no bar Central das Artes, em São Paulo, eles resolveram dedicar uma edição inteira da revista ao tema amor, sutilmente sugerido no título ‘‘A mar钒.
‘‘Nossa idéia era fugir de uma coisa mais infantil, adolescente’’, justifica Kipper. ‘‘Não que eu não gostasse de ver um leitor de X-Men comprando a nossa revista’’, adianta-se.
Com uma mistura de histórias em quadrinhos, ilustrações, foto-montagens e textos corridos, a revista reúne trabalhos de 31 artistas, dentre os quais nomes mais conhecidos do público em geral, como Caco Galhardo, Jal, Galvão - além dos três organizadores citados acima - , e alguns (ainda) nem tanto, como é o caso dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Allan Sieber e Samuel Casal, entre outros.
‘‘O leitor pode até estranhar algumas narrativas mais ‘‘esquisitas’ ou experimentais, mas é que organizar um trabalho desse é como montar uma seleção de futebol. Tem que botar junto para pegar entrosamento’’, destaca Kipper.
Na verdade, a tal ‘‘seleção’’ não vem jogando há tanto tempo assim. Ao contrário do que se poderia esperar, a ‘‘Front’’ surgiu há menos de um ano, já no número sete, segundo Kipper, ‘‘para evitar a maldição do número 5’’. Os encontros dos quadrinistas, roteiristas e ilustradores desde então vêm acontecendo por meio de uma lista de discussões na internet, no que se convencionou chamar de ‘‘edição participativa’’.
E o resultado tem sido tão proveitoso que, nesse momento, eles já preparam novas histórias para a ‘‘Front 11’’, que deve falar sobre violência. Não, eles não têm medo da ‘‘maldição da número 10’’ também: esta já está devidamente discutida, diagramada e fechada para ir para a gráfica nos próximos dias.

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