Revista da Mostra usa linguagem da Internet
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de maio de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Mário César
Com cara de home page revista foi concebida para provocar estranhamento e prender a atenção do leitor
O público mais atento aos espetáculos da Mostra Regional/Nacional do Filo deve ter notado a mudança gráfica e editorial da publicação que cobre o evento. Idealizada pelos jornalistas Rodrigo Garcia Lopes e Iara Lessa, a Revista da Mostra adaptou a linguagem utilizada pela Internet, com hipertextos, a uma edição dinâmica e informativa.
Nossa idéia era fazer uma home page no papel. Não conheço publicação que utilizou esses recursos do começo ao fim, como esta revista, comenta Iara Lessa. A idéia dos jornalistas era romper a leitura linear do texto. Nós trabalhamos a quebra da leitura com começo, meio e fim. O material ficou com mais cara de revista, explica Rodrigo Garcia Lopes.
O projeto editorial encontrou respaldo também na homenagem que o Festival faz a Brecht. A palavra chave seria estranhamento. Utilizamos essa teoria do Brecht para criar um distanciamento crítico - transformando o familiar em estranho e vice-versa - para fazer com que o leitor tivesse consciência de que estava lendo um texto construído, ressalta Rodrigo Garcia.
O projeto editorial foi concretizado pela equipe gráfica da Visualitá Criação Visual. O cuidado com o aspecto estético levou à elaboração de um novo tipo de letra, criado exclusivamente para a revista. A parte editorial e gráfica é uma parceria, e o profissional tem que ter sensibilidade para perceber o projeto editorial, traduzindo em imagem e passando para o papel o que está sendo pensado editorialmente, assegura Cristina Thomé, da Visualitá.
A fórmula foi conseguida com muito trabalho, pesquisa em revistas, livros e horas consumidas na Internet. Não é difícil fazer uma boa revista para o Festival porque ele dá elementos para trabalhar. Para isso usamos também muito de jornalismo, obtendo informações com os grupos, não nos limitando ao material de divulgação, lembra Iara Lessa.
Em época de scanners, em que livros e documentos são transportados para o universo virtual, a revista do Filo seguiu sentido contrário. A revista foi transferida do virtual para o papel, fez um caminho inverso, acrescenta Elisabeth Yumomae, da equipe gráfica.
A revista valoriza a Mostra Regional/Nacional e o trabalho de pesquisa de grupos não-comerciais, além das pessoas que estão nos bastidores, quem constrói o Festival e nem sempre está no palco, afirma Rodrigo Garcia Lopes. O projeto contou com redação e reportagem de Bernardo Pellegrini e terá continuidade com a Mostra Internacional do Filo, que já está anunciada na contracapa da revista com as principais atrações.


