Revista "Bundas" quer reviver espírito do "Pasquim"
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 01 (AE) - Luis Fernando Verissimo, batucando discretamente na roda de samba comandada por Aldir Blanc e Walter Alfaiate, deu o tom da festa. Mais de 200 pessoas lotaram a churrascaria Marius, em Ipanema, na noite de ontem (31) para o lançamento da revista "Bundas", criação de Ziraldo e Jaguar, que pretendem reviver o espírito guerreiro do "Pasquim". "Os tempos de hoje são melhores que aqueles para fazer humor, porque agora temos a hipocrisia e o cinismo como matéria-prima", teorizava Ziraldo entre abraços e autógrafos.
Quase 30 anos separam os bons tempos do jornal do lançamento da revista. Fausto Wolf, Cláudio Paiva, Chico Caruso, os cassetas Marcelo Madureira, Reinaldo e Hubert (os dois últimos, crias do Pasquim), Sérgio Augusto e Nani estiveram no lançamento. Só faltou Millôr Fernandes, mas Ziraldo fez questão de dizer que a revista só existe por causa dele e é uma homenagem explícita. Jaguar fez questão de dizer que as páginas de "Bundas" estão abertas a todos os jovens escritores, jornalistas e cartunistas, da mesma forma que ocorria no "Pasquim". "Já no primeiro e segundo número tem gente nova aparecendo e temos recebido na redação material de boa qualidade", disse.
Ziraldo esperou três anos entre a idéia da revista "Bundas" e sua chegada às bancas, prevista para o dia 15. "Queríamos condições para fazer direito, porque não há mais lugar para aventuras editoriais", explicou. "A revista tinha de ser semanal, porque humor mensal não existe." Ziraldo não nega a paródia à revista "Caras", especializada em ricos e famosos. Por isso, na capa de "Bundas" vem o aviso de que a edição "não contém piscinas, jacuzzis, alcovas, nem peruas".
Lançada a revista, os donos da festa deram uma amostra do que vem por aí. Na hora dos discursos para apresentar a equipe pinçada entre colunistas dos grandes jornais brasileiros, o mestre de cerimônias Chico Caruso fez apresentações formais. Ziraldo, que falou da alegria de voltar a fazer humor e preencher um espaço importante dentro da mídia brasileira. Mas Jaguar foi curto e grosso: "Já que esta revista é de oposição, vamos começar por nós mesmos", protestou ele. "Ninguém mais fala porque é um absurdo interromper uma roda de samba desta qualidade para ficar fazendo discursos."


