Reverendo Fidalgo faz pregação com humor
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sábado, 15 de dezembro de 2018
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Contratado pelas cortes europeias na Idade Média com a missão de divertir reis, rainhas e seus séquitos, o Bobo da Corte muitas vezes usava a ironia em meio a suas palhaçadas com o objetivo de fazer críticas à monarquia para a qual trabalhava. Sem correr o risco de ser torturado, como os demais súditos, a figura divertida - também conhecida como bufão - funcionava como uma espécie de espelho dos grotescos hábitos da realeza. E, através de suas indiretas, incitava a reflexão sobre a hipocrisia e o comportamento abusivo de suas autoridades.

As características básicas da técnica italiana do bufão ajudaram o artista paranaense Marcos Gabriel Freitas na construção de um de seus mais engraçados personagens, o Reverendo Fidalgo. O integrante da Cia Teatral Palhaço da Corte, de Curitiba, promete divertir o público londrinense com uma pregação gratuita e nada ortodoxa agendada para as 11 horas, no Calçadão, dentro da programação do 14º Festival de Circo de Londrina.
"Criei esse personagem há três anos e, desde então, ele tem arrancado gargalhadas de todas as plateias para as quais em apresento", afirma Freitas. Ele comenta que o Reverendo Fidalgo é resultado de uma pesquisa feita por ele em relação às diferenças entre o bufão e o palhaço. "Enquanto o palhaço é sempre muito querido porque brinca o tempo todo com o público, o bufão é mais áspero. Ele se parece com aquele parente divertido que quando bebe demais começa a levantar questionamentos sobre temas que a gente vivencia diariamente. Seguindo esse conceito resolvi incluir reflexões sobre política, machismo, homofobia e fanatismo religioso neste espetáculo", ressalta.
O artista curitibano comenta que o reverendo faz uma alusão a alguns pastores de igrejas evangélicas. "Não tenho a menor intenção de zoar com a religião de ninguém, mas chamo a atenção para o grande número de charlatões que usam o nome de Deus para ganhar dinheiro das pessoas. Apesar de divertir muito o público, o Reverendo Fidalgo mostra que muitas das técnicas usadas por pastores para ludibriar os fieis são as mesmas usadas em sessões de hipnose, de mágica e até em comédias circenses", destaca.
Freitas comenta que o universo dos pastores é muito próximo de sua realidade. "Sou filho de um pastor, estudei em seminário durante muito tempo e cursei teologia durante quatro anos. Apesar de acreditar em Deus, nunca consegui me encaixar nesse perfil religioso, mas pensava: tenho que usar esse meu conhecimento para alguma coisa. Foi aí que surgiu a ideia de criar o Reverendo Fidalgo, pois acho que a função da arte não é apenas divertir mas também fazer com que o público volte para a casa refletindo sobre seus hábitos e ações", enfatiza.
Ele conta que a verocimidade que o personagem transmite já causou constrangimentos ao artista. "Ao terminar uma apresentação na cidade de Toledo (PR), um pastor enfurecido acompanhado de dez membros da igreja dele veio em minha direção próximo ao palco. Perguntei o que havia acontecido e ele afirmou que se sentiu ofendido pois eu tinha feito no palco as mesmas coisas que ele costumava fazer na igreja. E que eu deveria pensar: se meu pai fosse pastor e estivesse sentado na plateia o que ele acharia. Respondi que meu pai é pastor e que ele é que não deveria ter um olhar de ódio sobre mim, pois Deus jamais aprovaria aquele comportamento dele. Percebendo que estava sendo filmado pelos celulares do público ele acabou se afastando. Para evitar novamente esse tipo de reação, sempre procuro observar a plateia antes do espetáculo para ver até onde posso ir sem ofender ninguém, pois essa não é minha intenção", resume Freitas.
A religião já foi usada como pano de fundo em vários outros shows de humor. Entre os exemplos estão o Pastor Adélio, personagem que o humorista londrinense Márcio Américo levou com sucesso para o Youtube; a Irmã Selma, do espetáculo Terça Insana; e Painho, imortalizado por Chico Anísio.
Serviço:
Espetáculo Reverendo Figaldo
Quando - Sábado (15), às 11 horas
Onde - Calçadão
Gratuito
BOX
Pelos ares
A programação do 14º Festival de Circo de Londrina chega ao fim neste domingo (16). Às 16 horas, a Troupe Aerocircus, companhia anfitrião do evento, estaciona o seu ônibus-palco no Jardim Primavera, Região Norte (Rua Vantuil Frisselli) para mostrar "Aerocircus na Rua". A trupe montará no bairro uma estrutura itinerante e aérea para a realização de acrobacias, malabarismos e pirâmide humana.
Às 20 horas, o espetáculo fica por conta da acrobática Virginia Caputi (Montevidéu, Uruguai), que apresenta 'Um Océano Una Historia de Amor, Locura y Humor', no Canto do Marl. O espetáculo traz toda a experiência desta artista veterana contornada por uma bela moldura visual. Viru, como é conhecida, pratica trapézios, acrobacias e teatro físico no El Picadero, importante grupo ligado ao Circo Social.
Domingo (16)
16h
'Aerocircus na Rua', com Troupe Aerocircus (Londrina)
Onde - Rua Vantuil Frisselli - Jd. Primavera (zona norte)
Gratuito
20h
'Um Océano, Una Historia de Amor, Loucura y Humor', com Virginia Caputi (Uruguai)
Onde - Canto do Marl (R. Duque de Caxias, 3241)
Gratuito


