ReproduçãoTitanic:
sucesso do
filme traz
à tona
suposições
absurdas
como a de
que o
naufrágio
foi uma fraudeAo mesmo tempo em que o cinema americano resgata a história da tragédia do Titanic, um pesquisador inglês provoca um curioso debate por causa da tese lançada em seu livro: ‘‘O Enigma do Titanic’’, o historiador Robin Gardner sustenta que o famoso transatlântico jamais naufragou e que, na verdade, o dono do navio - o barão americano John Pierpont Morgan, da White Star Line - cometeu uma fraude. Ele e seus sócios teriam mudado o nome de uma velha embarcação semelhante, bem danificada, o Olympic, e provocaram deliberadamente seu choque contra icebergs no Atlântico Norte, para receber um seguro milionário.
Detalhe: a idéia era resgatar todos os passageiros mas, como isso não aconteceu, deve ter ocorrido algum imprevisto, segundo o autor. O navio afundou no dia 15 de abril de 1912, com 1.500 pessoas a bordo.
Ainda na Inglaterra, o escritor Paul Gainey e o policial Stewart Evans lançaram o livro ‘‘The Lodger’’ (O Hóspede), no qual garantem que Jack, o Estripador, o misterioso homem que matava prostitutas em Londres no século passado e cuja história rendeu alguns filmes e até músicas (‘‘Mack The Knife’’ é uma delas) não era o duque de Clarence, neto do herdeiro da rainha Vitória e futuro rei Eduardo VII, conforme a versão oficial. Eles mergulharam fundo nos arquivos da Scotland Yard e descobriram que o médico americano Francis Tumblety era o principal suspeito.
Em suas investigações, Gainey e Evans souberam que a polícia havia descoberto em seu laboratório vários úteros conservados em frascos de vidro. Quando a polícia descobriu manchas de sangue em sua camisa, depois de um assassinato, ele foi preso, mas pagou fiança e fugiu do país. Depois disso, observam os autores do livro, os crimes em Londres cessaram, mas ocorreram assassinatos no mesmo estilo na Nicarágua e na Jamaica. O assassino matava e mutilava as prostitutas.
Ainda na linha das publicações lançadas com o objetivo de mudar a chamada história oficial, no fim desta década, uma geração de historiadores americanos se concentrou nas pesquisas sobre os mitos do Velho Oeste. Na opinião da historiadora Cynthia Orozco, por exemplo, a lenda do Forte Álamo não simboliza a luta dos colonos americanos contra a tirania, ‘‘mas o imperialismo e o racismo americanos que venceram mexicanos e índios’’. De acordo com a história oficial, foi no Álamo que os mexicanos massacraram os texanos, em 1836.
Outro escritor, Lawrence Wright, engrossa a corrente dos historiadores que afirmam que, longe de serem heróis, muitos defensores do Álamo eram bandidos e mercenários, loucos para grilar terras. Nessa galeria foram incluídos heróis como David Crockett. Os pesquisadores se prendem a detalhes como o visual, garantindo que Crockett não usava aquele gorro de pele com que aparece ao ser retratado no cinema e nas histórias em quadrinhos. Na verdade, afirmam, em vez de lutar até a morte, ele tentou se render.
E John Wayne, quem diria, odiava cavalos e gostava de andar de terno e gravata. É o que revela o escritor Garry Wills, autor do livro ‘‘Os Estados Unidos de John Wayne: O Lado Político da Celebridade’’, lançado este ano. Na vida real, afirma o autor, ‘‘preferia atacar quem já estava vencido, como os esquerdistas americanos’’.

mockup