O artista plástico e publicitário Luiz Rettamozo não se importa em ser chamado de dinossauro da propaganda. Ele acha maravilhoso ter 50 anos e garante que não queria ter ‘‘nem 40 e nem 80’’.
Rettamozo é do tempo em que as pessoas se conheciam nas ruas e não pela Internet. ‘‘Foi assim que encontrei Leminski, Rogério Dias e tantas outras pessoas que tinham idéias parecidas’’, contou. ‘‘Batíamos na porta de quem queríamos conhecer’’.
Rettamozo chegou em Curitiba há 30 anos. Sua primeira obra de arte na cidade foi uma instalação, onde usou 50 pãezinhos, exposta num mercado livre que havia na Praça Zacarias. ‘‘Lembro que as pessoas fugiam da minha instalação, o que me fez aprender rapidinho o perfil dos curitibanos’’, brincou.
Em meio a críticas acirradas sobre a cidade, Rettamozo costuma dizer que Curitiba é o único lugar em que as pessoas elogiam pelas costas. ‘‘Aqui você sofre de falta de amor, enquanto as pessoas amam voc꒒.
Críticas à parte, foi em Curitiba que o artista viveu e sobreviveu nas últimas décadas, criou seis filhos e realizou centenas de trabalhos.
Foram 150 jingles comerciais, alguns em parceria com Tom Jobim, Jane Duboc ou Dominguinhos. Diversas premiações em edições do Salão Paranaense, participação em diversos eventos de arte e criação de várias peças publicitárias também fazem parte da lista.
Tudo começou no início dos anos 70, quando Rettamozo e Leminski trabalhavam juntos, num projeto de imagem e som. Daí saíram letras, video-clipes e projetos visuais para a banda A Chave, por exemplo.
Bem humorado, o artista garante que convive muito bem com o meio século de vida, que completou em janeiro. ‘‘Hoje, quando me perguntam se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha, eu costumo responder que foi o ovo de dinossauro’’, brincou. (S.M.)

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