RETROSPECTIVA Indies selecionados
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de dezembro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É hora de retrospectivas. As listas de melhores álbuns pop/rock de 2004 proliferam na mídia pop, cujos críticos festejam a temporada como uma das mais animadas dos últimos anos. Os britânicos voltaram a alardear a explosão de um novo ciclo de bandas com Franz Ferdinand e Libertines à frente capazes de rivalizar com a hegemonia americana recente. A terra dos Strokes e dos White Stripes, por sua vez, continuou revelando grupos vigorosos ao lado de uma cena canadense em ebulição.
É prazeroso e ao mesmo tempo torturante correr atrás das novidades, tentando ouvir tudo o que movimenta os porões alternativos do planeta algo, na verdade, impossível, mesmo na era da simultaneidade da informação. Mesmo assim, a pretensa sintonia com os lançamentos permitiu a confecção da lista dos 10 melhores álbuns de 2004, a exemplo do que fazem as publicações especializadas do mundo (confira nesta página)
A banda sueca Radio Dept encabeça a relação com seu álbum de estréia, ''Lesser Matters'', no qual joga camadas de guitarras climáticas, vocais frágeis e texturas melancólias para sequestrar o ouvinte. Lembra os extintos My Bloody Valentine e Slowdive, dois grupos indies do início da década de 90. A faixa ''Where Damage Isn't Already Done'' puxa o carretel de canções arrebatadoras.
The Ponys, com o álbum ''Laced With Romance'', foi a outra grande estréia do ano reunindo músicas inspiradas na sonoridade pré-punk de bandas como Richard Hell & The Voidods, Patti Smith Group e Velvet Underground. Sediado em Chicago (EUA), o quarteto põe um insinuante órgão farfisa para pontuar as faixas, cujo destaque é ''I Love You'Cause (You Look Like Me)'', com vocais femininos.
De outra praia, o grupo Explosions in the Sky levou adiante o experimentalismo com as guitarras no novo trabalho, ''The Earth is Not a Cold Dead Place''. As cinco faixas do CD oferecem 45 minutos de devaneios sonoros intercalando dedilhados e rajadas de distorção. Classificado como ''pós-rock'', o grupo instrumental do Texas (EUA) habita o mesmo casulo musical dos escoceses do Mogwai e dos canadenses do Gospeed! You Black Emperor.
Os também canadenses do Arcade Fire entram na lista com o álbum ''Funeral'', recheado de canções apoteóticas, quase hinos. A banda explora orquestrações e instrumentos inusuais no rock como bandolim e acordeão. Em ''Wake Up'', evoluem num crescendo com guitarras agressivas, vocais rasgados e arranjo para coral remetendo à atmosfera épica de álbuns clássicos dos Flaming Lips e Mercury Rev.
Já na densa ''In the Back Seat'', Regine Chassagne lembra os timbres de Bjork, escapando da influência à medida que a melodia encorpa-se com o naipe de cordas e a base roqueira. Arcade Fire já é tratado como ''fenômeno'' nas páginas de algumas publicações alternativas. Longe disso, a dupla novaiorquina Joy Zipper mantém-se num semi-anonimato, mesmo lançando um álbum repleto de preciosidades indies.
Em ''American Whip'', Vinny Carfiso e Tabitha Tinsdale mixam candura vocal, texturas etéreas, cellos, violinos e parede de guitarras à la My Bloody Valentine. Quer dica de faixas para baixar em seu arquivo? Vá direto às sublimes ''Ron'', ''In The Never Ending Search For a Suitable Enemy'' e ''Baby You Should Know''.
Completando a lista dos dez ''mais mais'', vale conferir os álbuns ''The Lost Riots'' (Hope of The States), ''The Concretes'' (The Concretes), ''Faking The Books'' (Lani Puna), ''Codename Dustsucker'' (Bark Psychosis) e o hiperincensado ''Franz Ferdinand'' (Franz Ferdinand). Com exceção deste último, lançado pela Trama, todos os demais só saíram no exterior.


