Rio, 28 (AE) - A comemoração dos 90 anos do Teatro Municipal do Rio, que se completam em 14 de julho, começou no dia 20, com a abertura de exposição Theatro Municipal - 90 anos (com a grafia antiga) no Museu Nacional de Belas-Artes (MNBA), contando a sua história, desde o período em era somente um sonho de cariocas querendo fazer do Rio a capital cultural do País. Foi uma festa oficial, dentro da programação paralela da Cimeira
com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. A mostra foi aberta no domingo para o público e fica no museu até setembro. Depois, atravessa a rua, para permanecer no teatro até o fim do ano.
Apesar de completar 90 anos, a história do Teatro Municipal começou no fim do século passado, quando o dramaturgo Arthur de Azevedo fez campanha para erguer uma casa semelhante à Commédie Francaise, em Paris. A idéia vingou apenas em 1904, quando o prefeito Pereira Passos, responsável pela primeira grande reforma urbana do Rio, abriu um concurso de projetos para arquitetos brasileiros e estrangeiros. A exposição começa a contar a história a partir daí, pois o concurso foi tumultuado e a casa que abrigaria as artes cênicas brasileiras acabou sendo resultado de dois projetos.
O primeiro colocado tinha como autor Aquila, que vinha a ser Francisco Pereira Passos, filho do prefeito, o que causou mal-estar entre os outros 20 concorrentes. A situação foi contornada com o acréscimo de elementos do projeto colocado em segundo lugar, concebido pelo arquiteto francês Albert Guilbert, que se alcunhou de Isadora. As plantas e maquetes dos dois projetos e do que ficou em terceiro lugar, denominado Neo por seu autor, o paulista Victor Dubugras, formam o primeiro núcleo da exposição, completamentada com fotos da época da construção, que durou quase cinco anos. O segundo núcleo tem estudos e esboços de artistas que decoraram o interior do teatro. Eram os principais do início do século: Eliseu Visconti e Rodolfo Amoedo encarregaram-se das pinturas de afrescos e rotundas, enquanto Bernardelli cuidou das estátuas. No entanto, todos trabalharam na década de 10, quando a casa já estava em pleno funcionamento.
Os projetos do mobiliário do teatro formam o terceiro núcleo da mostra, ao lado de maquetes de cenários e desenhos de figurinos dos espetáculos. Aí são mostrados os projetos para a ópera Turandot, que marcou época no Municipal, dos balés Giselle e Quebra-Nozes, produções que até hoje fazem parte do repertório da casa. Nélson Rodrigues - Para lembrar a importância da casa na história do teatro brasileiro, são mostrados também fotos (já que os esboços de cenário e figurinos de Santa Rosa se perderam) da primeira montagem de "Vestido de Noiva", de Nélson Rodrigues, que revolucionou o teatro brasileiro em 1943. Segundo a curadora da exposição no MNBA, Mônica Xexéo, não houve preocupação em falar sobre os espetáculos já realizados, porque são mais de 10 mil, nos 90 anos de sua história. "E todos os artistas importantes dessas nove décadas passaram pela casa", explicou. De Isadora Duncan a Monserrat Cabalé, todos se apresentaram lá.
"Para homenagear os artistas, foram escolhidas quatro mulheres de fama internacional, que começaram carreira aqui ou tiveram momentos importantes de sua carreira nesse palco". A lista começa com a cantora lírica Bidu Sayão, que estreou lá em 1926, como a Rosina da ópera "O Barbeiro de Sevilha". Fotos dessa montagem abrem o quarto núcleo, que homenageia ainda Márcia Haydée, cria da casa, onde estreou nos anos 50, dançando "Composição Abstrata". O figurino desse espetáculo, conservado até hoje, estará em exposição, assim como os usados por Fernanda Montenegro, a terceira homenageada, em "O Mambembe". A pianista Guiomar Novaes, cujos primeiros concertos ocorreram no Municipal, é a quarta homenageada, com a exposição de réplicas de suas mãos feitas em gesso.
Apesar da atual fase de contenção extrema de despesas do teatro, que produz pouco, mesmo mantendo corpos de balé, coro e orquestra, uma tradição será mantida no dia 14 de julho: das 10 às 22 horas haverá espetáculos contínuos com entrada gratuíta. Do programa constam concertos com a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Banda da Polícia Militar e grupos de câmara da orquestra do teatro. Haverá também espetáculos de balé e a noite termina com a Nona Sinfônica, de Bethooven.

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