O grande álbum pop/rock de 2005 foi lançado no primeiro mês do ano. ''Silent Alarm'', discaço de estréia da banda inglesa Bloc Party, virou quase uma unanimidade entre o público indie encabeçando agora boa parte das listas dos melhores CDs da temporada.
Quando chegou às lojas, deu a impressão de que uma overdose de discos excepcionais desabaria sobre as prateleiras ao longo dos doze meses. Não foi bem assim, embora só um maluco desprovido de qualquer senso estético ousaria negar a qualidade dos dez títulos destacados aqui.
Bloc Party é comandado pelo vocalista Kele Okereke, cujos timbres lembram ocasionalmente Damon Albarn, do Blur. O som é um híbrido de energia punk e pulso funk com muita melodia, sugerindo um mix do melhor dos Strokes com o melhor do Franz Ferdinand, para ficar em duas das bandas mais festejadas no planeta.
Não é difícil prever a perenidade de canções como ''Storm & Stress'', ''She's Hearing Voices'', ''Like Eating Glass'', ''Banquet'', ''Little Througs'', ''The Answer'', ''The Tulips'' e ''This Moden Love''. Bloc Party já deveria figurar no elenco de atrações que passará pelo Brasil em 2006. Foi a banda-revelação e banda do ano.
Mas nem tudo é da safra emergente na relação dos grandes álbums da temporada. A lista traz desde uma banda remanescente dos anos 80 (Wedding Present) a outra que recuperou o prestígio depois de gravar sucessivos discos irregulares depois de despontar como expoente do britpop nos anos 90 (Oasis). O Canadá, que ao longo do ano foi badalado à exaustão como novo celeiro de bandas, aparece representado outra vez.
Se em 2004 exaltamos o álbum ''Funeral'', do Arcade Fire, agora celebrizamos o disco homônino do coletivo Broken Social Scene. O grupo é uma espécie de big band formada por amigos ''emprestados'' de outras bandas. A ficha técnica do novo disco traz 17 integrantes. Terceiro álbum deles, o novo trabalho une melodias cativantes, instrumental variado, timbres eletrônicos e camadas de guitarras típicas de bandas indies inglesas.
O álbum entusiasma de ponta de ponta, embora algumas canções despontem no repertório com magnetismo pop inspirado, caso de ''Superconnected'', ''Major Label Debut'', ''Ibi Dreams of Pavement (A Better Day)'', ''Wind Surfing Nation'' e ''Swimmers''. Há uma atmosfera vibrante nas faixas, lembrando um pouco as inventivas farras sonoras executadas pelo grupo The Go! Team. Quer saber? Ainda não ouvimos nada do Canadá.
O terceiro grande álbum de 2005 é ''Amusement Parks on Fire'', da banda homônima, que na verdade é uma banda-de-um-homem-só. O nome do sujeito é Michael Ferrick, um inglês que compõe, toca, grava, produz, faz tudo. O disco traz apenas nove faixas, uma mixada à outra numa avalanche de microfonias e guitarras desgovernadas que remete às explosões ruidosas da banda escocesa Mogwai.
Nos vocais, Ferrick lembra a extinta banda inglesa Ride, expoente da geração ''shoegazer''. O disco abre com uma vinheta etérea instrumental para logo em seguida arrastar o ouvinte num tsuamni de barulho. Completam a lista dos 10 álbuns de 2005 ''Take Fountain'' (Wedding Present), '''Don't Believe The Truth'' (Oasis), ''Alligator'' (National), ''Road To Roen'' (Supergrass), ''And The Glass Handed Kites'' (Mew), ''Z'' (My Morning Jacket) e ''Feels'' (Animal Collective). É um belo painel do indie rock atual.

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