Retratos do acaso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Geraldo Bessa <br> <br> TV Press 
O humor é o ponto de partida de qualquer obra assinada por Miguel Falabella. Seja no teatro, no cinema ou na televisão, o autor sempre se vale da comédia para mostrar os contrastes e tristezas de seus personagens. ''Estou sempre atento aos detalhes que são risíveis'', destaca Miguel. Esses ''detalhes'' voltam à tevê a partir de hoje, com a estreia de ''Aquele Beijo'', quarta novela de Falabella. O que mais instigou o autor a voltar a escrever novelas foi a certeza de que sua trama seria exibida no horário das sete. Já que na malsucedida ''Negócio da China'', em 2008, ele sofreu com a censura e a incompatibilidade de seu humor irônico com a faixa das seis. ''O horário das sete é a minha cara. Me permite dizer coisas de um jeito mais ousado. Alfinetar sem ter a classificação indicativa em cima de mim'', ressalta o autor, aos risos.
Em ''Aquele Beijo'', situações criadas pelo ''acaso'' têm função fundamental na trama. Inclusive, toda a sinopse original foi criada pelo autor a partir da frase: ''Quantas vezes você já teria cruzado com alguém sem se dar conta de que poderia ser o grande amor de sua vida?''. Para responder a questão, Miguel vai além da função de autor e também narra a história. ''Como autor, você manipula as personagens. Então, por que não explicitar isso para o público? Mexo com as personagens como se elas fossem peças de um jogo para montar o painel da novela. Eu não conto a história, eu digo coisas'', analisa Miguel, que no novo folhetim volta a trabalhar com uma equipe bem semelhante às de outras produções que levaram sua assinatura. A direção de núcleo fica por conta de Roberto Talma, com quem o autor já trabalhou em ''A Lua Me Disse'', de 2005, ''Negócio da China'' e no humorístico ''Toma Lá, Dá Cá''. '''Aquele Beijo' tem tudo o que uma boa novela precisa ter. Estamos com uma frente confortável de capítulos, gravamos externas em lugares distintos, como a Paraíba, Paris e Colômbia, e contamos com um elenco primoroso. Está tudo certo'', empolga-se Talma.
A nova trama é guiada por um triângulo amoroso protagonizado por Cláudia, de Giovanna Antonelli. Ela namora com Rubinho, de Victor Pecoraro, desde a adolescência e sonha em se casar com ele. No entanto, o matrimônio nem passa pela cabeça de seu namorado. Além disso, a relação entre eles não tem a aprovação da mãe do rapaz, a dondoca Maruschka, de Marília Pêra. ''No fundo, toda mulher sonha com casamento. Umas pensam muito, fazem disso uma missão. Outras são mais tranquilas. Minha personagem quer tanto casar que já tem toda a festa do casamento na cabeça'', diverte-se Giovanna. A vida de Cláudia se transforma ao cruzar no aeroporto com o advogado Vicente, de Ricardo Pereira. Os dois estão com passagens marcadas para Cartagena, na Colômbia. Na fila de embarque, Cláudia acaba pedindo emprestado o telefone de Vicente. É daí que surge uma forte amizade e um interesse mútuo. ''O Vicente está na Colômbia para ir ao casamento da Lucena, sua ex-namorada. Ele se dedicou demais aos estudos e acabou perdendo um grande amor. Por força do acaso, acaba encontrando a Cláudia'', explica Ricardo, referindo-se à personagem de Grazi Massafera.


