FOTOGRAFIA RETRATOS DE SOLIDARIEDADE ReproduçãoReproduçãoFigura respeitável, Dona Mariinha é uma das muitas parteiras que atuam no sertão nordestinoReproduçãoAs comunidades ribeirinhas aguardam em canoas a chegada de profissionais da área médica, na Selva AmazônicaReproduçãoMulher sendo atendida por Artemildo Ribeiro da Silva, um agente de saúde que pretsa socorro aos seringueiros do AcreReproduçãoEm consultórios improvisados, pessoas esperam atendimento com um dos ‘‘doutores do mato’’ Elisa Marilia Carneiro De Curitiba Exposição, em Curitiba, reúne fotos de Pedro Martinelli, Roberto Linsker e Lalo de Almeida que registram o trabalho de médicos e voluntários de todo o Brasil Parteiras voluntárias, médicos das populações ribeirinhas, do sertão e das comunidades indígenas, são o tema principal dos fotógrafos Pedro Martinelli, Roberto Linsker e Lalo de Almeida para o livro de fotografias ‘‘Cuidados pela Vida - Outras Histórias’’, que tem exposição marcada para terça-feira, às 20 horas, no Solar do Barão. A mostra permanece até dia 16 de abril. A entrada franca. Os três fotógrafos percorreram mais de oito mil quilômetros de estradas e rios dos lugares mais ermos da Amazônia aos grandes centros urbanos, para registrar o trabalho de doação de profissionais abnegados e de muita coragem. Na favela Costa Barros, no Rio de Janeiro, por exemplo, os médicos sobem o morro vigiados por meninos armados de fuzis AR-15. No Acre, os ‘‘doutores do mato’’ produzem, eles mesmos, remédios com plantas da região para atender a população dos seringais. Este é o segundo volume do projeto ‘‘Cuidados pela Vida’’, patrocinado pelo Laboratório Biosintética, por intermédio da Lei Rouanet. São 156 páginas com 165 fotografias em preto e branco e textos dos jornalistas Ana Augusta Rocha e Marcello Macca, mostrando o cotidiano dos profissionais da área da saúde. A exposição mostra, em Curitiba, 52 painéis de 50 x 60 centímetros, com imagens de parteiras voluntárias no sertão nordestino, dos médicos na selva Amazônica e dos profissionais da Instituição Laramara, de São Paulo, responsáveis pelo atendimento de dificientes visuais. Há relatos de casos pungentes, com gestos e ações de coragem e ousadia de médicos que fecham os olhos ao perigo para estar ao lado dos pacientes. Os profissionais do projeto ‘‘Médicos sem Fronteiras’’, do Rio de Janeiro, organização internacional, não medem esforços para salvar vítimas de catástrofes. Um dos fotógrafos acompanhou um trabalho do grupo à favela Costa Barros, onde encontraram um corpo de mulher com a cabeça decepada e meninos armados com fuzis vigiando as esquinas. Para subir o morro, o pessoal veste camisetas brancas com a inscrição ‘‘Médicos sem Fronteira’’, senha para escapar dos tiros. Num outro extremo do Brasil, foi preciso vencer oito horas de viagem a pé e em canoas, desde Rio Branco (Acre), para conhecer o trabalho dos ‘‘doutores do mato’’. Artemildo Ribeiro da Silva é um dos agendes de saúde treinados por organizações não-governamentais, governo estadual e universidades para atender a população dos seringais. Ele usa chás e ‘‘tinturas-mãe’’ de muitas plantas, com as quais faz diluições de remédios. Artemildo não cobra nada pelos medicamentos que produz em sua pequena farmácia e tenta sobreviver com um salário de US$ 30,00. O médico cearense Adalberto Barreto iniciou um trabalho de resgate da saúde, da identidade e dos laços comunitários em várias localidades. Ele e sua equipe comandam terapias de grupo para os moradores, atendem doentes, oferecem sessões de massagem e escola para as crianças e administram um pequeno laboratório de medicamentos feitos com plantas medicinais. Mesmo com acesso a tecnologias de ponta nas grandes cidades do País, médicos fazem da solidariedade e do amor ao próximo a viga mestra de seu trabalho. Em São Paulo, médicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, criaram o ‘‘São Paulo Interior Transplante’’, sociedade civil capaz de centralizar a distribuição de rins para todo o Estado, tornando os transplantes mais seguros e democráticos. Salvar vidas também é uma operação de guerra para os soldados da Marinha que pilotam os navios Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. Eles levam médicos, dentistas e farmacêuticos pelos rios da Amazônia para atender populações ribeirinhas. Nos sertões do Nordeste, um outro exército em trajes civis literalmente dá vida a milhares de crianças. São as parteiras voluntárias, como dona Antônia Josefa da Conceição, que percorre o interior do Ceará para fazer partos. Em São Paulo, o trabalho do pessoal das associações de Assistência à Criança Defeituosa, de Pais e Amigos do Excepcional e de Assistência ao Deficiente Visual torna possível que crianças excepcionais ou deficientes possam ter o direito a uma vida normal, com acesso a trabalho e estudo. •Exposição de fotos ‘‘Cuidados pela Vida – Outras Histórias’’, dos fotógrafos Pedro Martinelli, Roberto Linsker e Lalo de Almeida. De 14 de março a 16 de abril, em Curitiba, no Solar do Barão – Museu da Fotografia(Rua Carlos Cavalcanti, 533).