Retratos da China
Ambientado na China em décadas recentes, ''Flores do Amanhã'' é uma dessas histórias que agarram o espectador logo aos primeiros minutos, e só o libertam depois de deixar marcas impressivas. O filme entra hoje no espaço alternativo local (confira a programação de cinema na página 2).
Melodrama semi-autobiográfico, parte da era Mao Tsé-Tung e chega até nossos dias. O argumento gira em torno de uma família simples. Há um filho, Zhang, nascido em 1967; o pai, Gengian, pintor que foi traído por um amigo e cumpriu pena como contra-revolucionário, e a mãe preocupada com coisas materiais. O artista plástico teve um dia a mão atingida por um garoto com um estilingue. Na sua volta à casa, o homem encontra problemas no relacionamento com o filho, que pode ou não dar vazão ao mesmo talento do pai e que agora se manifesta.
A indiscutível força melodramática do filme, vem primeiramente desta conflituosa relação pai-filho, que uma clássica narrativa contempla em três tempos cronológicos bem definidos, ao longo de quase 40 anos. Na batalha entre as duas vontades, o autoritário Gengian luta pela felicidade futura de Zhang, não importa o que este pense ou faça a respeito. ''Flores do Amanhã'' é enriquecido, além da matéria-prima humana, de preciosos detalhes de época. E como marca registrada do melhor cinema chinês contemporâneo, a preocupação com uma China que se transforma veloz e drasticamente é uma constante.
O diretor Zhang Yang fez aqui seu quarto longa-metragem, e a temática da família em conflito já estava em ''Banhos'' e ''Abandono do Sucesso''.(C.E.L.J.)





