Nem sempre uma conferência consegue prender a atenção do público. Algumas, no entanto, não só cativam seus ouvintes como são capazes de gerar improváveis desdobramentos no futuro.
Uma conferência do poeta e dramaturgo espanhol García Lorca (1898-1936), reproduzida no livro ''Como canta uma cidade de novembro a novembro'', foi o ponto de partida para a criação do espetáculo teatral ''Federico García Lorca - Pequeno Poema Infinito'', protagonizado pelo ator José Mauro Brant, com direção de Antonio Gilberto.
Montada em 2007, no Rio de Janeiro, a peça será apresentada hoje, amanhã e sábado, às 20h, no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina. Além do espetáculo, a produção traz uma exposição de painéis sobre García Lorca e uma oficina gratuita ministrada pelo ator. Patrocinado pela Petrobrás, o projeto já circulou por 17 estados brasileiros, além da Espanha e Colômbia. ''E no domingo, vamos embarcar para Cabo Verde para representar o Brasil no maior festival de teatro da África'', anuncia Brant.
Personagem central da montagem, Lorca tem suas vivências e memórias lembradas no palco, sobretudo da infância em Granada (Andaluzia), sua terra natal. Brant encarna o poeta conduzindo o público para um universo sensível, no qual a palavra e a música recriam a atmosfera de um ambiente idílico, aquele de suas raízes.
''A situação dramática é a de envolver o público como se ele estivesse ouvindo uma conferência de Lorca'', informa o ator. ''Lorca era muito carismático, cantava, tocava piano. Suas conferências eram shows'', assinala. Brant conta que o mergulho no personagem o levou a estudar piano durante 1 ano para poder tocar o instrumento em cena. ''Foi um dos maiores desafios na fase de preparação'', diz.
Quando a peça estreou, Brant recebeu elogios da crítica e figurou na lista de atores indicados para o Prêmio Shell, o mais importante na área de teatro no Brasil. O espetáculo entusiasmou até a temida crítica teatral carioca Bárbara Heliodora.
Embora a base da montagem tenha sido a conferência realizada por Lorca em 1933, o roteiro mesclou suas divagações nostálgicas com outros textos do autor incluindo fragmentos de entrevistas, poemas e canções - tudo traduzido especialmente para a peça pela escritora Roseana Murray. Foi ela, aliás, quem emprestou o livro para Brant, que resultou na montagem.
Brant atua profissionalmente desde 1987 como ator e cantor. Já participou de mais de 40 produções e trabalhou com diretores como Gerald Thomas, Ítalo Rossi, Werner Herzog, Bia Lessa, Paulo Betti e Aderbal Freire Filho. Em 1996, conquistou o prêmio ''Rival/Petrobras'' de música brasileira na categoria ''Atitude''.
Em 1997, ganhou o prêmio de ''Melhor Ator'' pelo Ministério da Cultura/Troféu Mambembe pela atuação em ''Tuhu, o Menino Villa Lobos'', de Karen Acioly. Em 2004, lançou o livro ''Enquanto o sono não vem'', pela editora Rocco, dentro da coleção ''Quem quiser que conte outra''. Nesta vinda a Londrina, ele também comandará a oficina ''O Contador de Histórias - Leitura e Jogo Cênico'', que acontece no sábado no Museu de Arte.
Serviço
Espetáculo ''Federico García Lorca - Pequeno Poema Infinito''
Quando - hoje, amanhã e sábado, às 20h
Local - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina
Ingressos - R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudantes, espectadores menores de 18 e maiores de 60 anos e portadores do Cartão Petrobras e de crachá do Sistema Petrobras, na compra de até dois ingressos)
Classificação etária - a partir de 10 anos
Informações - (43) 3371-6571
Oficina ''O Contador de Histórias - Leitura e Jogo Cênico''
Quando - sábado, das 14 às 18 horas
Local - Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640)
Inscrições gratuitas - Vagas Limitadas
Público alvo - atores e professores
Idade Mínima - 18 anos
Informações - (43) 3337-6238

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