Já é comum Aparecida Petrowky ouvir conselhos de mães ou desabafos de jovens nas ruas. A intérprete da inconsequente Sandrinha, de ''Viver a Vida'', lamenta que existam tantas mulheres fora da ficção com os mesmos problemas de sua personagem. Na história, Sandrinha tem um filho com o bandido Benê, de Marcello Melo. Mas aproveita essa triste realidade para carregar ainda mais no naturalismo ao gravar suas cenas. ''Acho que, de todas personagens da novela, ela é a que mais se aproxima do dia a dia das pessoas'', justifica a atriz, que comemora sua estreia na televisão.
Para conquistar o papel, Aparecida precisou fazer muitos testes. E, confessa, não imaginava que conseguisse o posto de irmã da protagonista Helena, personagem de Taís Araújo. ''Eram muitas mulheres concorrendo, uma mais bonita que a outra. E eu nunca tinha feito nada, não tinha qualquer experiência'', recorda. A certeza da aprovação veio depois de oito etapas e foi tão comemorada que ter de cortar os longos cabelos nem chegou a preocupar a atriz. ''Se me pedissem para ficar careca, eu ficava. Queria essa chance e faria qualquer coisa para tê-la'', garante.
A determinação de Aparecida se justifica em sua história de vida. Sua mãe biológica descobriu estar grávida aos 15 anos e a entregou, ainda bebê, a outra mulher. Depois, durante sua infância, a atriz descobriu ser adotada e passou a desfrutar de suas duas famílias. Até que decidiu estudar Fisioterapia e sair de casa. E foi justamente nessa fase que começou, também, os cursos de interpretação. ''Eu era muito tímida e fui aconselhada, na própria universidade, a ter aulas de Teatro'', explica.
Com duas carreiras em vista, Aparecida foi dividindo seu tempo entre as sessões de fisioterapia e os palcos até o momento em que decidiu vender seu carro, a única coisa de valor que possuía, e usar o dinheiro para passar uma longa temporada em Londres. Lá, estudou Shiatsu e Interpretação e voltou empolgada. Enquanto garantia seu sustento com a Fisioterapia, escrevia e produzia o infantil ''Zeluda''. E foi o espetáculo que começou a abrir as portas da carreira artística para Aparecida. ''Depois da peça, recebi convites para testes e críticas positivas. Ali comecei a trilhar mesmo esse caminho'', valoriza.
Apesar da sorte de estrear em um produto nobre como a novela das oito e com o texto de Manoel Carlos, um dos autores mais aclamados da tevê, Aparecida prefere manter os pés no chão. ''Tudo está lindo, a vida na tevê é glamorosa, mas encaro 'Viver a Vida' como mais um trabalho'', pontua. Nem a instabilidade profissional preocupa Aparecida. ''Com a Fisioterapia era a mesma coisa. Em um dia, podia estar cheia de pacientes e, no outro, não ter nenhum. Tenho duas profissões e, se for preciso, posso intercalar períodos bons e ruins''.

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