RETORNO TRIUNFAL - A música está de volta às escolas
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segunda-feira, 08 de setembro de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Depois de 37 anos (a disciplina já foi obrigatória entre 1932 e 1971), o ensino musical volta a ser obrigatório nas escolas brasileiras. No dia 18 de agosto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.769, que determina a inclusão da música no currículo da educação básica (ensino infantil, fundamental e médio). O retorno da disciplina, proposto pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que embora determinasse a obrigatoriedade do ensino de arte, não especificava o conteúdo da disciplina, permitindo uma multiplicidade de interpretações. Lula vetou um artigo que exigia formação específica para os professores de música. As escolas terão três anos para se adaptar à lei.
Com exceção de alguns colégios particulares, e de projetos na rede municipal, Londrina não tem ensino específico de música nas escolas. Um dos projetos é o ''Um Canto em Cada Canto - educação musical através do canto coral'', experiência desenvolvida desde 2002 em escolas da rede municipal de Londrina com o amparo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e parceria da Secretaria Municipal de Educação. Segundo a coordenadora pedagógica, Oleide Lelis, atualmente o projeto está inserido em 14 escolas e atende cerca de 800 crianças carentes com idades entre sete e 13 anos. As aulas são semanais, com duração de uma hora e meia, e ministradas por um total de sete monitoras, todas licenciadas em Música. ''O objetivo não é apenas ensinar a música mas trabalhar um conteúdo que contribua para a formação integral do aluno'', explica. Durante as aulas as crianças aprendem exercícios de relaxamento, afinação, coordenação e concentração. ''Tudo o que a criança faz é valorizado. Ela se sente gente'', ressalta Oleide.
De acordo com a coordenadora artística do projeto, Lucy Maurício Schimiti, além de propiciar a vivência musical dentro da escola, a educação musical possibilita o trabalho das emoções, o desenvolvimento da sensibilidade, percepção auditiva, equilíbrio, ritmo interior e sociabilidade. Outro benefício apontado por Lucy é a oportunidade de vivenciar outros contextos sócio-culturais. ''As crianças fazem duas apresentações por ano no Teatro Ouro Verde, cantaram na abertura da Expo Imin, além de participarem de várias programações municipais. Muitas nunca tinham visitado o Centro da cidade ou mesmo pisado em um teatro. Os alunos sentem-se artistas e passam a ficar menos tempo na rua para se dedicar aos ensaios'', comenta. Segundo a coordenadora, muitas crianças atendidas pelo projeto aprimoram os conhecimentos musicais estudando instrumentos ou ingressando nos coros da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ou de empresas.
Na Escola Municipal Prof. José Gasparini 54 das 169 crianças matriculadas no ensino de 1 a 4 séries frequentam as aulas de canto coral (a participação no projeto não é obrigatória); a maioria no contraturno. ''Percebo que com as aulas de música os alunos estão mais disciplinados, concentrados, motivados e responsáveis em sala de aula. As professoras das outras disciplinas também se envolvem porque ajudam a organizar as apresentações'', destaca a diretora Tania Maria Terra Machado. Gabrielle Agata da Silva, sete anos, afirma que está mais quieta e disciplinada. ''Durante as aulas ninguém pode fazer bagunça e todos devem prestar atenção na professora'', conta. ''Temos a oportunidade de ampliar a bagagem cultural com o aprendizado de músicas em outras línguas'', aponta Guilherme Henrique de Assunção, 10 anos. Há dois anos no projeto, Jorge Vinicius Venena, nove anos, diz que costuma cantar as músicas do coral para a mãe e os irmãos. ''Eles as acham bonitas. Também gosto de me apresentar nos pontos turísticos da cidade, como a Catedral e o Ouro Verde.''


