Durante três anos de sua vida, Cláudia Mauro causou alvoroço no público ao apagar o quadro negro da ''Escolinha do Professor Raimundo'' rebolando os quadris. Hoje, a atriz está quase irreconhecível como a sofrida Matilde, uma moça do interior que esconde um trágico segredo em ''O Beijo do Vampiro''. Ao contrário de boa parte do elenco da novela, que perde algumas horas na sala de maquiagem com próteses dentárias e lentes de contato, Cláudia grava a novela sem qualquer tipo de rímel, blush ou batom. Ou melhor: a pouca maquiagem que usa é para reproduzir olheiras e enfear seu rosto. ''Todo ator é vaidoso por natureza. Mas procuro não ter pudores na hora de interpretar uma personagem. Sou uma folha em branco onde o autor escreve o que quiser'', compara.
O autor Antônio Calmon chegou a hesitar na hora de convidar Cláudia para fazer o papel. Ele explicou que ela teria todo o direito do mundo de recusar o convite por ser ''uma atriz jovem e cheia de frescor''. Cláudia Mauro, porém, não pensou duas vezes. Afinal, o convite representava o tão esperado retorno às novelas da Globo. O último trabalho de Cláudia na emissora foi justamente ''Por Amor'', de Manoel Carlos, atualmente reprisada no ''Vale a Pena Ver de Novo''. Depois, era a oportunidade de fazer um personagem diferente de tudo que ela já fez na tevê até hoje. ''Torço para que a Matilde seja uma referência na minha carreira porque ela tem uma forte carga dramática. Quem sabe esse papel não vai me dar mais credibilidade como atriz?'', cogita, esperançosa.
Segundo a sinopse de ''O Beijo do Vampiro'', Matilde se transformou numa mulher triste e amargurada depois de sofrer uma forte decepção amorosa com Armando, personagem de Eduardo Galvão. Desse relacionamento, nasceu Baratão, interpretado por Celso Bernini. Mas, se depender de Antônio Calmon, o sofrimento de Matilde está perto de ter um fim. Já nos próximos capítulos, a personagem vai sofrer uma daquelas reviravoltas que ficaram famosas em novelas. Mesmo sem saber ao certo o como e o porquê dessa transformação, Cláudia não vê a hora de Matilde ''levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima''. ''Aos poucos, ela vai voltar a ser a Matilde que já foi uma dia. Mas a mudança só não pode ser exagerada senão ela vira uma perua tresloucada. Já imaginou?'', brinca a atriz.
Atualmente, Cláudia pode ser vista também em ''Por Amor'', onde interpretou Liza, a babá de Maria Eduarda, a personagem de Gabriela Duarte. Antes, Cláudia já tinha feito a Valquíria de ''História de Amor'', do mesmo autor. ''Guardo ótimas recordações de tudo que fiz. Não me arrependo de absolutamente nada'', enfatiza. Mesmo assim, Cláudia é obrigada a reconhecer que ainda não obteve uma grande oportunidade na tevê. Coincidência ou não, tanto a Liza, de ''Por Amor'', quanto a Matilde, de ''O Beijo do Vampiro'', são papéis secundários, sem maior projeção na trama. Isso sem falar na fogosa Capitu, que interpretou por três anos consecutivos, de 1991 a 94, na extinta ''Escolinha do Professor Raimundo''. ''Tive poucas chances na tevê? Tive. Poderia ter sido melhor aproveitada? Poderia. Mas minha hora ainda vai chegar'', crê.
As esperanças de Cláudia Mauro são alimentadas pela também atriz Ângela Vieira, que mora no mesmo condomínio de casas no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Ângela costuma dizer à amiga que sua grande oportunidade na tevê só apareceu depois dos 40, quando fez a Janete em ''Terra Nostra''. ''Quando era jovem, alimentava muitas expectativas. Achava que podia estourar a qualquer momento'', confessa Cláudia. Hoje, ela já se contenta só de envelhecer na profissão sem passar dificuldades. Embora ainda esteja com 33 anos, sabe que o mercado, às vezes, pode ser cruel com atrizes que já passaram de uma certa idade ou não se encaixam num determinado padrão de beleza. ''Não ligo para idade. Ligo para saúde e bem-estar. Se a explosão vier aos 40, 50 ou 60, quero aproveitá-la bem. Você pode ter bons papéis em qualquer idade'', pondera.

mockup