Retorno mais que esperado
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
A gente está velho, mas a cabeça não cresce. Nosso som está ainda melhor", garante Rodrigo Amadeu, vocalista e baixista da banda londrinense The Cherry Bomb que, após dez anos sem tocar, sobe ao palco neste sábado com a formação original para relembrar os sucessos dos idos da década de 90. Direto dos antigos inferninhos e do universo underground da cidade, essa é a oportunidade dos amantes do punk rock voltarem no tempo. No repertório, músicas de todas as fases do grupo, que vão desde as composições da primeira K7 demo-tape "Sad Songs for Happy Girls" (1996) ao LP "Bombs to You" (1997) e os CDs "The Cherry Bomb!" (1998), "Light Up The Town Garage Takes" (2000) e "Disconected Satellites" (2003).
Juntamente com Amadeu, que acaba de chegar à cidade em férias depois de anos vivendo em Londres, acompanham os integrantes Lucas Ricardo (bateria) e Humberto Scaburi (guitarra e voz). "Estamos ensaiando desde novembro aqui e o Amadeu por lá. Essa semana fizemos ensaios e já no primeiro encontro a banda se entrosou", conta Lucas. Conhecido por suas composições autorais e criativas, o grupo independente possui um estilo único com músicas rápidas. Eram rotineiramente vistos perdidos pelas noites e bares mais alternativos apresentando seus sucessos. "Era tudo improvisado, mas os shows aconteciam e sem hora para acabar. A cidade, hoje, está mais estruturada para shows, mas o mesmo não acontece com a qualidade das bandas que vemos por aí", lembra.
Se os grupos de hoje têm a tecnologia como aliada e facilitadora, a primeiro demo dos meninos rebeldes foi gravado em apenas quatro canais. Para esse primeiro passo rumo ao cenário musical, foi utilizado o aparelho portátil emprestado de um amigo que foi levado para todos os cantos. "O som ficou horrível, foi tudo feito de forma precária. E, mesmo sem ser um lance profissional, queríamos mostrar algo diferente", diz Scaburi.
Em seguida veio o LP, com oito canais. O CD já teve 36 canais, uma produção melhor. "Independentemente de qualidade, nos empenhamos em todas as gravações da mesma forma. No som mais recente era possível ver uma maturidade na execução, também." A banda, ao contrário do grunge que reinava na época, tem fortes influências dos Ramones, The Jam, Stinky Toys, Sex Pistols, Eddie and The Hotrods.
Defensores e disseminadores da música autoral, os músicos dizem que o cenário da música em Londrina não é mais o mesmo. "Eu até entendo essa molecada profissional em couvert que toca para um perfil jovem diferente que existe na cidade. Na nossa época não existiam esses aparatos tecnológicos e a cultura do eletrônico. Tínhamos que gravar se quiséssemos ouvir algo", comenta Amadeu que, desde que se mudou para Londres formou a banda Flying Rats e, em 2014, lançou seu primeiro EP em vinil.
Lucas Ricardo e Scaburi continuaram em Londrina com outras bandas, como Chernobils, Búfalos DÁgua e Cold Beer & Hot Dogs. Além do show da The Cherry Bomb, a noite terá, ainda, a apresentação da banda Mary O and The Pink Flamingos, de Porto Alegre, com traços de garage rock e surf music.
Serviço:
The Cherry Bomb - Light Up The Town
Quando - Amanhã, às 21h
Onde - Hush Pub (Av. Juscelino Kubitschek, 472)
Quanto R$ 25 (antecipado)
Ponto de vendas - Sonkey (r. Sen. Souza Naves, 9)
*Os convites já estão esgotados


