Premiada na França e Escócia, a peça "O Dia em que Sam Morreu", da Armazém Cia de Teatro, estreia hoje na cidade marcando a abertura da 47ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo). A montagem, que será encenada às 20h30, no Teatro Marista, marca a estreia de Paulo Moraes como ator - além de assinar a direção e o texto do espetáculo (este em parceria com o poeta e dramaturgo Maurício Arruda Mendonça).
"O Dia em que Sam Morreu" coloca em cena as escolhas éticas que definem o destino de seis pessoas que se cruzam nos corredores de um grande hospital. Três delas atendem pelo apelido Sam: a juíza Samanta, que aguarda por um transplante de coração; o palhaço Samir, que sofre de Alzheimer, e o Samuel, jovem enfermeiro idealista, que invade o lugar com uma arma.
"A inspiração para escrever essa peça surgiu quando eu estava na Europa. Tinha assistido a espetáculos de companhias da Inglaterra e da Alemanha que tinham uma pegada visceralmente política. Não no sentido catedrático e disciplinador, mas sim de posicionamentos que as pessoas têm que tomar diante da vida. Comecei a conversar com o Maurício sobre o momento político que a Europa atravessava e que era muito parecido com o que acontecia no Brasil e decidimos abordar esse tema", afirma Moraes.
O espetáculo, que estreou no Festival de Teatro de Curitiba no ano passado, ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. Entre eles, o do Festival de Avignon (França) e do Festival de Edimburgo (Escócia), além de "Melhor Estreia Nacional em 2014", concedido pelo jornal Folha de S. Paulo e o Prêmio CesgranRio 2014 na categoria "Melhor Autor" para Paulo de Moraes e Maurício Arruda Mendonça.
"Viajamos com essa peça por diversas capitais brasileiras e importantes festivais na Europa. Mas voltar a Londrina depois de cinco anos longe daqui tem gosto de comida caseira. Ainda mais no Filo, que é responsável pela formação artística de quase todo os integrantes do Armazém", destaca o diretor.
Apesar de salientar a alegria de voltar a se apresentar na cidade, durante entrevista coletiva do lançamento do Filo 2015, Moraes expôs indignação com a falta de teatros na cidade. "Quando a gente começou a fazer teatro em Londrina há 30 anos com o grupo Delta já se falava na construção do teatro municipal. É inacreditável que depois desse tempo todo ele ainda não esteja erguido, assim como é inadmissível o Teatro Ouro Verde ainda não ter sido reformado numa cidade que tem o melhor festival de teatro do País", reclamou.
Criada em Londrina há 28 anos, o Armazém Cia de Teatro está radicada no Rio de Janeiro desde 1998. Reconhecido como um dos maiores grupos do País, a trupe londrinense contabiliza 26 espetáculos, entre eles "A Ratoeira é o Gato", "Alice Através do Espelho", "Da Arte de Subir em Telhados" e "Antes da Coisa Toda Começar".

Serviço:
"O Dia em Que Sam Morreu", com Armazém Cia de Teatro
Quando – Hoje e amanhã, às 20h30
Onde – Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240)
Quanto – R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)

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