Durante a fase de produção do programa, a equipe japonesa esteve três vezes em Londrina para entrevistar os descendentes da família Ohara. Repórter fotográfico da FOLHA e neto do imigrante, Saulo Ohara foi um dos entrevistados. "A equipe entrou em contato comigo pelo Facebook após conhecer o acervo do meu avô por meio do Instituto Moreira Salles. Nas entrevistas a produção focou mais no histórico familiar e não apenas no lado artístico do meu avô," conta.
Para Saulo, além de mostrar a história de alguém que saiu do Japão e venceu em outro País, a intenção dos produtores era investigar que herança cultural havia sido deixada para as gerações futuras. "Acho que meu avô foi o mais brasileiro entre as pessoas da nossa família. Ele adorava o Brasil e dizia aos filhos que eles tinham que se integrar à cultura local, e não o contrário. Apesar desse lado dele, acho interessante buscar nossas origens, pois grande parte do nosso histórico familiar ainda está no Japão", pondera.
Segundo Saulo, seu avô prometera à esposa, Kô, que voltaria com ela para o Japão. Depois que ela faleceu, em 1973, ele perdeu a motivação para a viagem. O documentário representaria, então, uma espécie de retorno às origens. "Além da grande honra de tê-lo como personagem do documentário, o programa da TV japonesa vai permitir que ele volte para lá e leve toda a sua história junto, já que, além do documentário, uma exposição com a obra dele será aberta no próximo ano, na cidade de Kochi, onde ele nasceu", comenta.
Haruo Ohara mudou-se para Londrina com seus pais em 1933, aos 18 anos de idade, e viveu na cidade até a sua morte, aos 89. (M.R.)

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