Retorno às origens
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de março de 2010
Arcângela Mota<br> TV Press 
Marcello Novaes fica visivelmente confortável quando o assunto é comédia. Ao falar sobre os personagens cômicos que já interpretou, o ator, que viu sua carreira decolar como o divertido mecânico Raí de ''Quatro por Quatro'', se reclina sobre o sofá e perde a noção do tempo. E, após emendar três novelas na Globo de 2005 a 2008, todas com papéis mais densos, Marcello se orgulha ao contar que só aceitou o convite para viver o atrapalhado Bené, de ''Cama de Gato'', por ser uma oportunidade de voltar a trabalhar com o gênero. ''Já estava tudo certo para as minhas férias, mas não resisti quando soube do perfil do Bené. Estava muito saudoso de fazer comédia. Está no meu sangue''.
Apesar de ter sua imagem associada a personagens cômicos, Marcello construiu uma carreira diversificada em seus mais de 20 anos de tevê. Foram 15 novelas e três minisséries.
As comparações entre o Bené e o Raí são quase inevitáveis. Como você trabalhou essa semelhança?
No Bené coloquei um pouco de todos os personagens cômicos que já fiz. Fiz uma revisão e peguei um pouco das características de cada um, fazendo uma salada enorme. O Bené é uma fórmula inédita, diferente do Raí, e crio coisas novas para ele o tempo inteiro. Sem contar que ele é mais ingênuo, enquanto o Raí era bem marrento.
Você ainda costuma ouvir muito sobre o Raí nas ruas?
Até hoje me chamam de Raí. Mas isso não me incomoda. Ator que não tem paciência para lidar com o assédio do público não deve sair de casa. Ou deve mudar de profissão.
E o que as pessoas dizem sobre o Bené?
A resposta do público não poderia ser melhor. O Bené conquistou muito as crianças, acho que caiu na boca do povo. É um personagem que está fazendo um sucesso muito grande. Vou trabalhar feliz. O gostoso de fazer comédia é levar para casa um serviço mais bem-humorado. O Bené é um papel que adoro interpretar. Com certeza vai deixar saudades.
Você já chegou a recusar algum papel?
Nunca. Tive de recusar personagens no teatro e no cinema em função do meu trabalho na Globo. Sou um funcionário da emissora e não me sinto à vontade de negar um trabalho. Eu ganho para isso. Sou consciente de que tenho de estar à disposição da emissora. Sou um profissional que leva o trabalho a sério com muito prazer.
Com toda essa experiência na comédia, existe algo que ainda seja difícil para você na hora de trabalhar com o gênero?
Toda vez fico ansioso e me sinto inseguro. É como se estivesse começando praticamente do zero. Levo um tempo para ter o personagem pronto dentro de mim.
Você sente falta de alguma coisa na sua carreira?
Não, porque trabalho muito. Em todos esse anos, fiz apenas um personagem que não aconteceu, mas eu sei bem o porquê. Não foi culpa minha nem da autora. Foram coisas que aconteceram em torno da novela. Depois a gente entende que alguns personagens simplesmente não acontecem. Não porque o ator ou o autor não têm talento, mas porque o sucesso depende de muita coisa. Mas dei sorte. Noventa e nove por cento dos meus trabalhos na tevê deram certo. Gosto muito do que faço e isso gera uma facilidade enorme. Quando você é apaixonado pelo que faz, já começa com uma chance de 50% de ganhar o jogo.


