A televisão brasileira vai percorrer caminhos seguros e de pouca inovação em 2016. À sua maneira, cada emissora irá aparar arestas e apostar no óbvio, mas sem esquecer de instigar levemente a audiência e os anunciantes. No setor de teledramaturgia, a Globo já começa o ano olhando para o passado. "Êta Mundo Bom", novela das seis que estreou ontem, é uma espécie de cartão de visitas da emissora para os próximos investimentos.
Assinada por Walcyr Carrasco, o autor mais rentável dos últimos tempos, a trama se volta para o interior e preza pela simplicidade. Assim como "Velho Chico", folhetim que estreia em março e marca a volta de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho ao horário das nove. "É uma volta sintomática a um estilo de novela mais tradicional, mas não menos popular e eficaz. Falta um pouco de delicadeza nesse horário e a produção segue nesse resgate de levar fantasia a uma faixa que se acostumou a uma realidade frenética", conta Edmara Barbosa, que escreve a novela ao lado de seu pai, Benedito, e do filho, Bruno Ruy Barbosa.
O mesmo esquema interiorano, histórico e de época toma conta de outros formatos de teledramaturgia da emissora, como as minisséries "Dois Irmãos" e "Justiça", e a novela das onze "Liberdade, Liberdade", que abordará a vida da filha do revolucionário Tiradentes. "O texto está passando por mais uma supervisão e acho muito válido a emissora investir em mais uma novela inédita no horário", afirma Márcia Prates, que estreia no posto de autora titular.
A Record também não quer saber de grandes cidades e dramas cotidianos em sua grade de novelas. As produções bíblicas ainda são o grande chamariz da emissora. Mas, enquanto arruma seus bastidores para conceber a segunda parte de "Os Dez Mandamentos" e "Terra Prometida", a emissora já tem uma novela inteira pronta para ser lançada. Sendo tratada com menos prestígio, "Escrava Mãe" teve sua estreia adiada seguidas vezes e deve ser lançada até o final no primeiro trimestre do ano. A novela conta a história da mãe da protagonista de "Escrava Isaura", remake que consolidou o investimento da Record em novelas, em 2004. "É uma trama de época forte e bem escrita, que será contada com a delicadeza e a densidade necessária. O trabalho está lindo e só esperamos as coordenadas da direção da emissora", garante o diretor Ivan Zettel.
Até o SBT resolveu investir mais na área. Além de preparar a versão brasileira para a mexicana "Carinha de Anjo" para o segundo semestre, a emissora produz o seriado "A Garota da Moto", em parceria com a produtora Mixer e o canal pago Fox. "Esse trabalho mostra a abertura que acontece no mercado audiovisual. É legal ver uma emissora do porte do SBT apostando em coisas que não são tão presentes em sua grade", analisa Christiana Ubach, protagonista da série, que deve estrear entre março e abril.

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