Nos últimos dois anos, Rodrigo Santoro viveu, no cinema, personagens bem diferentes daqueles que o alçaram ao posto de galã na tevê. Interpretou um jovem que conhece o inferno dentro de um manicômio, em ''Bicho de Sete Cabeças'', de Laís Bodanzky. Um rapaz obrigado pelo pai a vingar a morte do irmão, em ''Abril Despedaçado'', de Walter Salles. E um travesti preso, em ''Carandiru'', de Hector Babenco. Arriscou até uma incursão à ''glamourosa Hollywood'' como ele mesmo exalta onde filmou ''As Panteras 2'', na pele de um vilão. Apesar disso, retorna à telinha com um tipo que não lhe exigirá nenhum histrionismo interpretativo. Em ''Mulheres Apaixonadas'', de Manoel Carlos, Rodrigo interpreta o sedutor Diogo. Mas não desmerece o papel. ''É bom encarar agora um personagem comum, que pode ser encontrado em qualquer esquina. Serve como uma reciclagem'', argumenta, secamente.
Diogo é um típico ''Dom Juan'', que não resiste aos apelos femininos. Tanto que, após engravidar e se casar com a apaixonada Marina, interpretada por Paloma Duarte, o rapaz resgata uma ''caliente'' relação com a prima Luciana, de Camila Pitanga. Mesmo assim, Rodrigo garante que seu personagem não é cafajeste. ''Ele acaba metido em confusão porque não controla seus desejos. Mas também sofre com isso. Não é um galinha'', tenta defender. Fora o ''fraco'' por mulheres, Diogo é gerente de uma agência de turismo, sócio numa loja de motocicletas e praticante de vários esportes.
Aos 27 anos de idade e nove de carreira, Rodrigo já viveu muitos ''admiradores de mulheres'' na televisão. O primeiro papel relevante foi em 95, como o passional Serginho da novela ''Explode Coração'', de Glória Perez. Em 97, emplacou o primeiro protagonista. Na novela ''O Amor Está no Ar'', de Alcides Nogueira, viveu um triângulo amoroso com mãe e filha, personagens de Betty Lago e Natália Lage. A fórmula ''tudo em família'' se repetiria dois anos depois, em ''Suave Veneno'', de Aguinaldo Silva desta vez, com Irene Ravache e Luana Piovani. Mas o ator só se destacou interpretando o jovem frei Malthus que tentou a todo custo resistir à bela prostituta vivida por Ana Paula Arósio, em ''Hilda Furacão''. Na minissérie de Glória Perez, entre uma auto-flagelação e outra, o religioso acaba cedendo aos ''apelos da carne''.
Nada santo, porém, foi o último personagem de Rodrigo em novelas, há dois anos. Na pele do ''bad boy'' Carlos Charles, ele atormentava a virginal Cristal, de Sandy, em ''Estrela-Guia'', de Ana Maria Moretzsohn. Em dezembro do ano passado, o ator fez ainda uma participação na microssérie ''Pastores da Noite'', adaptada da obra de Jorge Amado. Sob contrato com a Globo, retorna em ''Mulheres Apaixonadas'' dizendo que sempre quis fazer uma novela de Manoel Carlos. ''Estava filmando 'As Panteras' quando recebi o convite. Já queria fazer... Mas não sabia se conseguiria voltar ao Brasil a tempo'', esnoba.
Até 2001, as incursões de Rodrigo Santoro no cinema foram ligeiras. Em 96, atuou em ''Depois do Escuro'', de Dirceu Lustosa. A produção até foi premiada em vários festivais. Mas, sendo um curta-metragem, não teve repercussão. Em 98, Rodrigo apareceu como ele mesmo, numa participação figurativa em ''Como Ser Solteiro'', de Rosane Svartman. No ano seguinte, veio o convite para ''O Trapalhão e a Luz Azul'' em que também pouco aparece.
Os novos ventos chegaram com o personagem Neto, de ''Bicho de Sete Cabeças'', de Laís Bodanzky. O jovem - pego fumando maconha - é internado pelo pai num manicômio. Lá, se depara com os horrores a que os doentes mentais são submetidos. O filme foi inspirado num caso real e rendeu a Rodrigo cinco prêmios, entre eles o da Associação Paulista de Críticos de Arte/APCA. No mesmo ano de 2001, o ator voltou ao ''set'' para filmar ''Abril Despedaçado'', de Walter Salles. No meio do sertão nordestino, Tonio - seu personagem - balança entre a lealdade à família e o desejo de quebrar um ciclo de violência.
Rodrigo ainda pediu a Hector Babenco um papel em ''Carandiru''. Faturou um travesti com a alcunha de ''Lady Di''. Mas o trabalho que provocou maior burburinho foi uma participação em ''As Panteras 2'', de Joseph McGinty Nichol. No papel de um vilão - que nem ele sabe dizer se terá destaque -, Rodrigo contracena com as belas Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Jura, porém, não ter qualquer expectativa de se mudar para Hollywood. ''É um lugar 'glamouroso'. Tive uma experiência maravilhosa lá. Mas foi só. Não pertenço a Hollywood'', diz, com um ar entediado de quem está cansado de repetir a mesma ladainha.

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