Para Patrícia Werneck, interpretar a professora Téinha, de ''Cordel Encantado'', tem um gostinho de recomeço. Distante da televisão desde 2009, onde teve uma pequena passagem pela Record na saga ''Mutantes - Promessas de Amor'', a atriz resolveu dedicar-se ao teatro, até descobrir que estava grávida. ''É muito bom voltar a fazer tevê. Já estava com saudades. Tive uma gravidez tranquila e meu filho já está com quase um ano. Era hora de voltar ao batente'', ressalta. O convite para retornar aos estúdios de gravação foi feito pela diretora geral da trama, Amora Mautner, com quem Patrícia trabalhou em seu papel de maior destaque, a romântica Camila, de ''Paraíso Tropical'', folhetim exibido pela Globo em 2007. ''Era um texto do Gilberto Braga no horário nobre. O assédio foi enlouquecedor. A novela era maravilhosa, mas eu era nova no veículo'', recorda.
Mesmo sem a exposição de um folhetim das nove, Patrícia já sente a repercussão do trabalho atual nas ruas. No entanto, além dos admiradores adultos, é visível para a atriz o apelo da novela com a criançada. '''Cordel Encantado' é uma novela tão bem cuidada, tão diferente. É um conto de fadas, um texto lúdico e interessante. Acho que desde 'Que Rei Sou Eu?' não tinha algo assim'', compara Patrícia, referindo-se ao folhetim de Cassiano Gabus Mendes exibido em 1989. Assim que recebeu os primeiros capítulos da novela, o que mais chamou a atenção da atriz foi a mistura de textos clássicos e histórias infantis que inspiraram as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid, como ''O Homem da Máscara de Ferro'', de Alexandre Dumas, os sucessos da Disney ''Mulan'' e ''Cinderela'', entre outros. ''No caso da minha personagem, a referência é a obra 'Cyrano de Bergerac'. Ela vai ter uma história muito divertida com o Quiquiqui e o Setembrino'', explica Patrícia, sobre o envolvimento de Téinha com os personagens de Marcelo Novaes e Glicério Rosário, respectivamente.
Assim como no texto escrito pelo francês Edmond Rostand, em 1897, a professora ficará dividida com o assédio de dois pretendentes. ''Eles estão apaixonados. Um escreve lindas poesias e é o outro quem as recita. Aí ela acaba se apaixonando pelo falso poeta'', diverte-se. Além de reler o livro original, muito da composição da personagem surgiu a partir de um trabalho coletivo promovido pela produção da novela. Na companhia do elenco, Patrícia pode saber um pouco mais da época em que o folhetim é ambientado - entre o final do Século XIX e início do Século XX -, e contou com a ajuda de atores do seu núcleo para achar o ponto certo do sotaque nordestino dos moradores da fictícia cidade de Brogodó. ''Eu estava exagerando no modo de falar. Ainda bem que tenho a sorte de gravar com a Emanuelle Araújo, que tem sotaque naturalmente certo'', brinca, referindo-se ao fato de a intérprete de Florinda ser baiana.
Outro ponto de dificuldade para atriz durante os primeiros dias de gravação foram os cuidados técnicos que cercam o trabalho. ''A novela é gravada em câmaras de alta definição, tem aspecto de cinema. No início, teve uma certa demora para todo mundo se adaptar. Mas agora o ritmo está ótimo'', assegura. Concebida para ser uma novela mais curta, a audiência crescente - com média em torno de 29 pontos - acabou por esticar o folhetim, que agora ganha mais duas semanas de exibição e chega aos 143 capítulos. Feliz com a repercussão, Patrícia garante que gostaria que a trama tivesse os tradicionais oito meses de duração. ''Todo o elenco gostaria que durasse mais. É bom trabalhar em um projeto ousado e bem sucedido ao mesmo tempo'', valoriza.
''Cordel Encantado'' - Globo - Segunda a sábado às 18h.

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