São Paulo, 22 (AE) - A terceira exposição do Grupo de Curadoria do MAM deste ano, que está em cartaz desde hoje no museu do Ibirapuera, tem como fio condutor uma característica marcante da arte brasileira das décadas de 80 e 90: a retomada da figuração. Para Rejane Cintrão, curadora-assistente do museu e idealizadora da mostra "Figura, quase Figura", a presença da figura na produção contemporânea não se dá como uma mera representação da realidade ou como a construção de uma narrativa
mas como um elemento das investigações formais e construtivas da pintura. Ou seja, são referências mais ou menos sutis ao universo criativo do artista.
A figura que surge com força na produção dos jovens artistas do período, como aqueles que participaram da exposição "Como Vai Você, Geração 80?" ou na dos que formaram o grupo paulista Casa Sete não é necessariamente reconhecível. Trata-se mais de uma "quase-figura", como sugere o título da mostra, montada apenas com obras do acervo do museu. "Não é uma coisa gestual como um Pollock, nem algo construído racionalmente, de uma visão abstrata do mundo", explica Rejane.
Isso fica evidente logo na entrada da exposição, com as obras de Nuno Ramos e Dudi Maia Rosa que dão as boas-vindas ao público. Em ambas há um coração, mas de forma bastante imperceptível, reforçando os aspectos formais do trabalho. Além de inserir-se perfeitamente no conceito da exposição, a obra de Dudi Maia Rosa (sem título) tem ainda outro significado interessante, já que serve de elo de união com as duas primeiras mostras realizadas pelo núcleo neste ano, tendo sido utilizada também pelos curadores de Ricardo Resende e Regina Teixeira de Barros.
Outro exemplo que ajuda a compreender o conceito explorado por Rejane é "Devagar com a Louça", de Daniel Senise
em que há um evidente cuidado com a construção do espaço pictórico. De tal forma que a composição parece abstrata num primeiro momento e só aos poucos revela a imagem de um Atlas rústico carregando o mundo nas costas. A sutileza é ainda maior numa tela aparentemente abstrata, pintada em 1985 por Rodrigo de Andrade, que deixa antever a figura de um homem barbado espremido no canto direito da tela. Serviço - "Figuras, quase Figuras". De terça, quarta e sexta, das 12 às 18 horas; quinta, das 12 às 22 horas; sábado, domingo e feriado, das 10 às 18 horas. R$ 5,00 (terça, grátis). MAM - Museu de Arte Moderna. Parque do Ibirapuera, portão 3, tel. 549-9688. Até 2/5

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