Para os Parlapatões, um trabalho como a oficina realizada dentro da penitenciária é importante porque acaba quebrando preconceitos da sociedade em relação aos internos. ‘‘A visão de fora é sempre pelo pior lado. Quando fizemos a oficina, descobrimos que através da cultura há uma possibilidade de comunicação maior, que a sociedade deveria ter para deixar de excluí-los’’, comenta Hugo Possolo.
O grupo paulista não esbarrou em dificuldades para estabelecer o primeiro contato com os detentos. ‘‘Ao contrário, a comunicação foi imediata. E eles estavam tão sedentos que renderam acima do esperado’’, conta Raul Barreto. Inclusive tecnicamente. ‘‘Normalmente, apenas 10% aprendem a jogar três bolinhas no primeiro dia. Com eles, esse número chegou a 80%’’, exemplifica.
Hugo Possolo acredita que é necessário valorizar a auto-estima dos detentos, lembrando-os que eles têm potencial. ‘‘Muitos dos que estão aqui dentro são a parte inteligente da pobreza. São pessoas que romperam com o sistema e por isso estão aqui’’, diz.
Trabalho concluído, os Parlapatões antecipam que os internos têm a intenção de se organizar e passar o que aprenderam para outros detentos interessados. ‘‘Isso vai depender também da estrutura interna. A direção enxergou o lado positivo da oficina. Notou que é possível fazer coisas boas dentro do sistema’’, avalia Possolo. ‘‘Este tipo de exemplo pode ser disseminado. A gente tem que apostar, de maneira séria e respeitosa, neste tipo de atividade’’, argumenta. O diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, assume que criatividade os detentos têm. ‘‘Basta saber educá-los’’.
Durante a apresentação de domingo, a diretora do Filo, Nitis Jacon, e a administração da penitenciária conversaram sobre a possibilidade de continuar o trabalho internamente. Nitis, inclusive, propôs apoiar a atividade. Para a direção da PEL, esta seria uma boa forma de fazer com que os detentos tenham condições de retornar à sociedade. (J.S.)

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