São Paulo - Deixe de lado a qualidade musical. Você pode até não gostar do som que a banda Restart faz, mas boa parte da nossa juventude gosta. Pelo menos 60 milhões de vezes, as canções e os videoclipes do grupo foram ouvidos e assistidos nos sites MySpace e YouTube. A banda faz, em média, 15 shows por mês, quase 200 por ano, para um público quase sempre superior a 5 mil pessoas. E tudo isso conquistado em apenas dois anos de carreira. Formado por Pedro Gabriel Lanza Reis, o Pe Lanza, 19 anos; Pedro Lucas Munhos, o Pe Lu, 21; Lucas Henrique Kobayashi de Oliveira, o Koba, 19; e Thomas Alexander Machado D’Avila, o Thomas, 18; o Restart percebeu a força que tinha e tomou para si o total controle da carreira. Afinal de contas, é melhor aproveitar a bonança antes que ela acabe.
Organizados como uma empresa, com cotas acionárias iguais, eles decidiram explorar um mercado que vai muito além da música. Hoje, eles têm licenciados mais de 500 produtos com a marca Restart, que vão desde cadernos para escola, roupas, toy art, álbum de figurinhas e até edredom. O mais recente lançamento do grupo é o livro ''Coração na Mão - A história completa'', que a jornalista Fátima Gigliotti escreveu a mando dos garotos da banda. Além disso, eles estão produzindo um filme, nos moldes dos longas sobre Justin Bieber e Jonas Brothers. ''Temos controle sobre tudo, da música ao marketing. Sempre achamos importante colocar a mão em tudo. É tão importante quanto a música que nossos produtos tenham a nossa cara'', diz Pe Lu.
O filme, ainda sem título, está previsto para estrear em 2012. ''Assistimos de tudo. Dos filmes dos Jonas Brothers aos Beatles. E, na verdade, o nosso longa vai ser uma mistura de coisas. Nem para um lado nem para o outro'', diz Pe Lu. O guitarrista declara que, diferentemente do que vem sendo divulgado, o filme não será em 3D, porque ainda é caro produzir nesse formato. O diretor confirmado será Denis Kamioka, o Cisma, da produtora Paranoid, e as gravações começarão no dia 1º de agosto. ''Estamos muito empolgados''.
NEGÓCIO MILIONÁRIO
Segundo dados da empresa de licenciamento Angelotti, que gerencia a marca Restart, eles têm a previsão de faturamento no varejo de R$ 150 milhões com as vendas dos produtos da banda até o fim deste ano. Quase todos os produtos podem ser comprados pela internet, no site restartshop.com.br, criado exclusivamente para esse tipo de comércio. ''É legal ter um produto oficial da banda que você gosta. Mais legal ainda quando ele é legal'', diz Pe Lu.
O sucesso empresarial caminha de mãos dados com o musical. E nesse aspecto, o quarteto não pode reclamar. No ano passado, por exemplo, eles foram os grandes vencedores do VMB (Video Music Brasil), promovido pelo canal MTV. O prêmio é um dos mais importantes da música pop. Outro dado que reforça o bom momento do grupo: o primeiro álbum da banda, ''Restart'', ganhou o disco de platina, pela venda de 150 mil cópias. O livro da banda tem tiragem de 50 mil exemplares. Número bem otimista, considerando que no Brasil a média de tiragem de uma edição costuma ficar entre 3 mil e 5 mil.
Mas se pudermos apontar o dia em que eles realmente caíram na boca do povo, esse dia seria 28 de abril de 2010. Nessa data, 3 mil fãs tentaram invadir a loja da Fnac, na Avenida Paulista, em São Paulo, onde a banda iria promover uma noite de autógrafos. Dada a tremenda algazarra, o evento foi cancelado e os fãs ficaram irados. O vídeo de uma garota em prantos, dizendo que o cancelamento era uma ''puta falta de sacanagem'' (sic), virou hit na internet e ajudou a impulsionar ainda mais a fama deles.
É importante frisar, porém, que utilizar a imagem para licenciar produtos não é nenhuma novidade. Os próprios Beatles, no início da carreira, fizeram isso. Mas ao mesmo tempo em que a prática pode ajudar a divulgar a banda, também pode fazer com que a marca fique desgastada. ''Boas ideias nascem antes de pensar no dinheiro. Queremos agradar os fãs ou nos divertir ao máximo. Pensando nisso, viabilizamos financeiramente para que a ideia possa rolar'', diz Pe Lu. Agora, se vai dar certo ou não, só o tempo dirá.

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