Ressaltar habilidades pode estimular preconceito
Quando tiveram o primeiro filho, Márcio Correia de Queiroz, engenheiro civil, e sua esposa Raquel Falcão de Queiroz, professora de Inglês, como na maioria dos casos de ''pais de primeira viagem'', não souberam identificar traços diferenciais no desenvolvimento de Daniel, hoje, com 15 anos. ''Tenho certeza que meu sogro era superdotado, e meu marido também trouxe alguma herança genética, já que passou em seis vestibulares. Com respeito ao Daniel, as pessoas comentavam que ele tinha uma capacidade extraordinária em aprender'', comentou Raquel.
Na primeira série, enquanto os outros coleguinhas pediam simples brinquedos como presente, Daniel quis ganhar a coleção de enciclopédias da Barsa. ''Ele sempre foi de traçar metas e correr atrás. Por outro lado, a socialização e a parte motora não acompanharam o desenvolvimento intelectual'', disse sua mãe.
Com muita clareza a respeito de sua condição, Daniel, que atualmente cursa o 2º colegial numa escola particular de Londrina, também destaca o papel do professor como, em muitos casos, facilitador da discriminação. ''Por exemplo, quando a professora diz que a tarefa deve estar pronta em cinco minutos, e eu entrego em dois, ela mostra meu caderno para a sala e comenta 'por que vocês não seguem o exemplo dele?'. Então o professor acaba alimentando esse preconceito'', destacou o adolescente que também demonstra talento na cozinha.
Se Daniel sente pela falta de integração com seus colegas de sala, seu irmão João Paulo, também considerado portador de altas habilidades, mostra-se mais brincalhão. Aos 13 anos de idade, um de seus passatempos favoritos é desmontar eletrodomésticos quebrados e observar sua mecânica interna. Entre as ambições próximas, está um curso de robótica realizado em Londrina. E como a grande parte dos alunos com altas habilidades, João Paulo também já sofreu com a discriminação. ''Todas as perguntas que os professores faziam ele respondia, até que uma professora pediu para que ele não perguntasse tanto durante as aulas. Isso fez com que ele passasse muito tempo calado, sem se manifestar'', alertou Raquel.
Há evidências de que pais que unem apoio e grandes expectativas para o desenvolvimento dessa criança, são os que têm mais chances de influenciar de maneira positiva o potencial de seus filhos. ''Talvez a rotina da nossa família tenha influência no desenvolvimento deles. Somos bastante perfeccionistas. Adoramos viajar e sempre que íamos a outros países, falávamos das diferenças culturais. Nunca compramos videogame e assistíamos pouca televisão. Tudo isso fez com que eles procurassem outras coisas para criar'', disse Raquel.
Serviço:
- Mais informações sobre o projeto do MEC podem ser obtidas no Núcleo Regional de Educação de Londrina (Avenida Maringá, 290). Telefone: (43) 3371-1351.





