O jeito bem-humorado de Raphael Montagner se distancia da sua fase atual em "Vitória". Para se recompor das cenas raivosas e intensas do neonazista Enzo, onde maltrata negros, nordestinos e homossexuais, o ator revela o cuidado redobrado para que a carga dramática do papel não influencie diretamente na sua rotina. "Preciso de duas horas para relaxar e faço coisas que me distraiam, como malhar e pensar na família. O clima fica cercado de tensão", avalia ele, que está em seu segundo papel na Record, após interpretar o estudante Leandro de "Dona Xepa", em 2013.
No texto de Cristianne Fridman, Enzo é um dos integrantes da quadrilha de vilões, liderada por Priscila, de Juliana Silveira. Para Raphael, o apoio entre os colegas de núcleo foi essencial na sequência da morte do flanelinha Sorriso, vivido por Izak Dahora. "Não é brincadeira enfiar a bota no rosto do outro ator e falar que ele é miserável por ser negro. O colorido das cenas fica por conta da sintonia do conjunto", elogia.

Nome: Raphael Montagner Alves de Melo.
Nascimento: Em 23 de novembro de 1983, em São Bernardo do Campo, São Paulo.
O primeiro trabalho na televisão: "Foi em ‘Amigas e Rivais’ há sete anos, no SBT. Ainda tinha cara de moleque e era bem magrinho".
Atuação inesquecível: "Cada trabalho para o ator é especial. O personagem acaba sendo um filho que você adota".
Interpretação memorável: "Os trabalhos da Fernanda Montenegro. Ela está sempre se atualizando".
Momento marcante: "A primeira reunião de núcleo de ‘Vitória’, quando o diretor Edgar Miranda me disse que eu teria de raspar o cabelo e deixar a barba crescer para o papel".
A que gosta de assistir: "Adoro novelas, documentários e programas em canais a cabo".
A que nunca assistiria: "Programas sensacionalistas. Já estou interpretando um cara psicopata. Às vezes, quero ver algo mais tranquilo mesmo".
O que sobra na televisão: "O sensacionalismo. Eu entendo que são produções que têm a sua função social e que denunciam os problemas da sociedade, mas, às vezes, não gosto de ver".
O que falta na televisão: "Programas mais culturais".
Ator: Antonio Fagundes.

Atriz: Fernanda Montenegro.

Se não fosse ator, o que seria: "Me formei em Educação Física. Então, trabalharia com algo nesta área".
Cena inesquecível na televisão: "Quando vi a reprise da dona Redonda explodindo na primeira versão de ‘Saramandaia’. Era bem gordinho quando criança e me marcou muito. Ficava com medo de comer".
Personagem mais difícil de compor: "Na minha fase atual, como Enzo. Tive de me transformar em outra pessoa".
Que novela gostaria que fosse reprisada: "Vamp", de Antônio Calmon, exibida pela Globo em 1991.
Par romântico inesquecível: Jade e Lucas, vividos por Giovanna Antonelli e Murilo Benício em "O Clone", de Glória Perez, exibida pela Globo em 2001.
Filme: "Menina de Ouro", de Clint Eastwood, de 2005.
Livro: "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez.

Autor: Clarice Lispector.

Diretor: Vladimir Capella.
Vexame: "Quando estava em cartaz em São Paulo com a peça ‘O Colecionador de Crepúsculos’ e esqueci o texto. Fiquei nervoso por estar contracenando com Selma Egrei, que é uma deusa da interpretação".
Mania: "De ser perfeccionista".
Medo: "De ficar sozinho. Tenho pavor de pensar nisso".

Projeto: "Estou focado somente na novela. Mas quero muito voltar aos palcos".

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